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PEDIU PERDÃO À FILHA DA EX

Carlinhos diz que foi chamado de “corno” e ‘babaca” antes de disparar sete vezes nas costas das vítimas

Patrícia Neves e Nickolly Vilella

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Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, afirmou nesta sexta-feira (31), durante interrogatório no Tribunal do Júri, que teria sido chamado de “corno” por Willian Cesar Moreno momentos antes de atirar sete vezes (pelas costas) contra ele e Thays Machado. O julgamento ocorre no Fórum de Cuiabá.

O promotor de Justiça Vinicius Gahyva contestou a versão apresentada pelo acusado e afirmou que, durante os anos de tramitação do processo, nunca ouviu, leu ou encontrou qualquer relato de Carlinhos sobre as expressões mencionadas no interrogatório.

Segundo o réu, ao questionar Thays sobre o relacionamento com Willian, ela teria respondido: “É sim, estou com ele, por quê?”. Na sequência, conforme a narrativa de Carlinhos, Willian teria dito “vaza, seu babaca” e ainda o chamado de “corno”.

Gahyva destacou que essas supostas falas nunca haviam sido citadas anteriormente pelo réu, nem durante a investigação policial nem nas demais fases do processo. A acusação questionou o aparecimento da versão somente durante o julgamento.

Ao ser perguntado pela juíza Mônica Perri sobre a dinâmica dos disparos, especialmente porque Willian foi atingido pelas costas, Carlinhos não respondeu diretamente ao questionamento. Ele afirmou que, após o crime, não tinha a intenção de fugir.

“Eu, em nenhum momento, pensei em fugir”, declarou. Durante o interrogatório, Carlinhos também relatou que tentou tirar a própria vida depois de matar Thays e Willian. Ele afirmou ter ingerido aproximadamente 150 comprimidos e colocado a arma na boca antes da chegada dos policiais. “A imagem da minha mãe apareceu falando: ‘Filho, não faça isso’”, disse o acusado.

Carlinhos ainda falou sobre a relação que mantinha com a filha de Thays, sua ex-enteada. Segundo ele, desde o crime não teve mais contato com a jovem, mas pensa nela constantemente.

“Rezo por ela todos os dias”, afirmou. “Peço perdão para ela todo santo dia”, completou, dizendo que faz o pedido em pensamento porque nunca mais conseguiu vê-la.

O depoimento do réu foi encerrado no fim da tarde desta sexta-feira. Carlinhos é julgado por feminicídio qualificado contra Thays Machado e homicídio qualificado contra Willian Cesar Moreno, mortos a tiros no dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.

Na denúncia do MPE consta que o feminicídio foi qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Conforme o Ministério Público, Carlinhos teria se aproveitado de sua superioridade física e agido em razão da condição do sexo feminino da vítima, com quem havia convivido.

O homicídio de Willian também foi qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa. A acusação sustenta que Carlinhos apareceu no local exatamente quando as vítimas estavam expostas na calçada e sem condições de reação.

Segundo a investigação policial, Carlinhos e Thays mantiveram um relacionamento amoroso por aproximadamente dois anos e chegaram a morar juntos. Desde o início, conforme a denúncia, o acusado teria demonstrado comportamento controlador e possessivo.

O Ministério Público afirma que Carlinhos vigiava os movimentos de Thays, incluindo o uso do telefone celular e das redes sociais.

Apesar de estar inserida em um relacionamento considerado abusivo pela acusação, Thays teria dificuldades para romper e buscar auxílio policial ou judicial. Conforme os autos, ela acreditava que Carlinhos, por ser filho de um político conhecido, tinha influência e que a situação poderia ser revertida contra ela.

Thays encerrou o relacionamento em dezembro de 2022. Após o término, Carlinhos teria intensificado o monitoramento por desconfiar que ela estava se relacionando com outra pessoa.

De acordo com a denúncia, o acusado passou a acompanhar a ex-companheira por ligações e aplicativos de rastreamento e já estaria planejando matá-la.

Em janeiro de 2023, Thays iniciou um relacionamento com Willian. No dia 18 daquele mês, ela utilizou o carro da mãe para buscar o namorado no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande.

Utilizando mecanismos de rastreamento aos quais ainda teria acesso, Carlinhos seguiu Thays até o aeroporto, acompanhou o desembarque de Willian e continuou seguindo o veículo no retorno para Cuiabá.

Ao perceberem que estavam sendo seguidos, Thays e Willian acionaram o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública e procuraram a Central de Flagrantes. Carlinhos, no entanto, conseguiu deixar o local antes de ser localizado.

O Ataque

Na tarde do mesmo dia, Thays e Willian foram até o edifício onde morava a mãe dela para devolver o carro utilizado na ida ao aeroporto.

Após deixarem as chaves do veículo na portaria, os dois caminharam até a calçada em frente ao prédio para solicitar uma corrida por aplicativo.

Conforme a denúncia, Carlinhos se aproximou abruptamente em um veículo e, sem desembarcar, efetuou vários disparos pela janela utilizando uma pistola Taurus calibre .380.

O Ministério Público afirma que Thays foi atingida por diversos tiros, inclusive pelas costas.

Enquanto Carlinhos atirava contra a ex-companheira, Willian teria começado a correr pela calçada na tentativa de escapar. O acusado, porém, teria realizado uma nova manobra com o carro, aproximado o veículo e efetuado outros disparos contra ele.

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