MÚSICA E INCLUSÃO SOCIAL
Com instrumentos feitos de sucata, crianças da periferia estreiam concerto no Cine Teatro Cuiabá
Muvuca Popular
As 20 crianças da periferia de Várzea Grande que integram a Primeira Orquestra de Sucata do Estado de Mato Grosso participaram, nesta segunda-feira (3), de uma visita técnica ao Cine Teatro Cuiabá para conhecer o palco e toda a estrutura que receberá o espetáculo de estreia do grupo, marcado para 14 de agosto, às 19h, com entrada gratuita. Na ocasião, a orquestra terá instrumentos confeccionados a partir de materiais recicláveis, como violão cello, violino, trompete de garrafa PET, ukulelata, bongôs, timbal híbrido, caixa de bateria, chocalhos e instrumentos de efeitos sonoros, em um concerto que será gravado em áudio e vídeo para posterior disponibilização nas plataformas digitais.
A atividade funciona como um importante momento de integração e reconhecimento do espaço cênico. Para muitas das crianças, será a primeira experiência em um dos principais equipamentos culturais do Estado. O contato antecipado com o palco, os bastidores e a estrutura técnica ajuda a reduzir a ansiedade e fortalece a segurança dos jovens músicos para a apresentação diante do público.
Os integrantes da orquestra são alunos da Escola Municipal de Ensino Básico Lenine de Campos Póvoas, localizada no bairro Eliane Gomes, em Várzea Grande, onde o projeto foi desenvolvido por meio de oficinas que unem música, educação ambiental e transformação social. As crianças saíram da escola às 7h e permaneceram a manhã no Cine Teatro.
INSTRUMENTOS DE SUCATA
Idealizada pelo músico, arte-educador e pesquisador Anselmo Parabá, fundador da Startup Anjos da Lata, a Primeira Orquestra de Sucata do Estado de Mato Grosso nasceu da proposta de transformar materiais recicláveis em instrumentos musicais, demonstrando que a arte pode surgir da criatividade, da sustentabilidade e da inovação.
“É um projeto sociocultural desenvolvido com crianças do bairro Eliane Gomes, que mostra como a música pode nascer daquilo que muitos consideram apenas lixo”, destaca o músico Anselmo Parabá, arte-educador e fundador do projeto Anjos da Lata.
Durante a apresentação do projeto, Anselmo explica como cada instrumento foi construído a partir de materiais reaproveitados. Um dos destaques é o violão cello, confeccionado com madeira de reaproveitamento, cabo de vassoura e linha de anzol, capaz de reproduzir uma sonoridade semelhante à de um violoncelo.
Outro instrumento é o violino, produzido com garrafa PET, madeira de cabo de enxada, bico de câmara de ar e arco confeccionado com linha de pesca utilizada para capturar lambari.
Também fará parte do concerto o ukulelata, construído com lata de thinner e madeira de pallet. Já um par de bongôs nasce de latas de alumínio reaproveitadas, cuja pele é confeccionada em garrafa PET.
A orquestra utiliza ainda instrumentos de efeitos sonoros produzidos com tampinhas de garrafa PET, sementes de cumbaru e um chocalho confeccionado com latinhas de alumínio reaproveitadas, arame recozido da construção civil e madeira. Muitas dessas latinhas já haviam sido utilizadas em oficinas anteriores e, mesmo desgastadas pelo tempo, ganharam uma nova função musical.
Entre os instrumentos mais conhecidos está o trompete de garrafa PET, símbolo da pesquisa desenvolvida pelo Anjos da Lata. Na percussão, uma simples lata metálica foi transformada em uma caixa de bateria, equipada com esteira para reproduzir uma sonoridade semelhante à de um instrumento convencional.
Já o timbal híbrido, foi construído com tubo reaproveitado de uma adutora de água de Várzea Grande, aro artesanal e pele convencional, reunindo materiais recicláveis e componentes tradicionais para ampliar as possibilidades sonoras da apresentação.
COMUNIDADE
Além da preparação artística, a iniciativa busca envolver toda a comunidade. No dia da apresentação, dois ônibus sairão do bairro Eliane Gomes levando gratuitamente moradores e convidados especiais até o Cine Teatro Cuiabá, garantindo que familiares, vizinhos e apoiadores acompanhem de perto o resultado do trabalho desenvolvido pelas crianças.
A proposta amplia o acesso à cultura e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade, que participou de toda a construção do projeto e agora poderá prestigiar seus protagonistas no palco.
O PODER DA ARTE
A metodologia desenvolvida pelo projeto Anjos da Lata transforma lixo seco em instrumentos musicais utilizando latas de refrigerante, tambores de tinta, garrafas PET, canos de PVC, metais descartados e diversos objetos do cotidiano.
Mais do que ensinar música, a iniciativa promove educação ambiental, inclusão social, criatividade, trabalho em equipe e desenvolvimento humano. Ao transformar sucata em música, o projeto reafirma o poder da arte como ferramenta de transformação social e ambiental, mostrando que materiais descartados podem ganhar novos significados e oferecer oportunidades para crianças e adolescentes da periferia.
Com mais de 20 anos de pesquisa do músico Anselmo Parabá e 12 anos de atuação do grupo Anjos da Lata, o projeto consolida uma metodologia que une cultura, educação e sustentabilidade, incentivando crianças e jovens a enxergarem novas possibilidades para si e para o meio ambiente.
REGISTRO AUDIOVISUAL
O espetáculo marcará o encerramento de meses de oficinas, ensaios e construção dos instrumentos musicais. O concerto do dia 14 de agosto, às 19h, no Cine Teatro Cuiabá, será a estreia oficial da Primeira Orquestra de Sucata do Estado de Mato Grosso e contará com gravação profissional em áudio e vídeo, que dará origem a um registro audiovisual para divulgação nas plataformas digitais, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo sua mensagem de conscientização ambiental, inovação, inclusão social e democratização do acesso à cultura.
SERVIÇO
A apresentação terá entrada gratuita, aberta ao público geral e contará com dois ônibus saindo do bairro Eliane Gomes levando moradores da comunidade e convidados especiais até o local da apresentação.
O projeto é realizado pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Empreendedores Criativos, em parceria com o Anjos da Lata, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, via Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), e do Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A iniciativa conta ainda com o apoio do Cine Teatro Cuiabá, Fundação AMAGGI, Fundação Abrinq, Instituto INCA-Inclusão Cidadania e Ação e Germano Produções.



