CRIME BRUTAL
Justiça mantém preso feminicida que matou esposa e filho de 4 meses com golpes de canivete em MT
Gustavo Castro
O juiz Raphael Alves Oldemburg, da 2ª Vara da Comarca de São Félix do Araguaia, converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de Jailton Gonçalves Barreira, de 29 anos, suspeito de matar a mulher, Taymilla Reis, de 23, e o filho do casal, um bebê de quatro meses. A audiência de custódia foi realizada nesta sexta-feira (18). O processo tramita em segredo de Justiça.
Mãe e filho foram mortos com ao menos 45 golpes de canivete em uma fazenda na região de Luciara (a 1.100 km de Cuiabá), na manhã de quinta-feira (17). Conforme informações preliminares da perícia repassadas ao delegado Daniel Moura, responsável pela investigação, Taymilla foi atingida ao menos 40 vezes, enquanto o bebê sofreu cinco perfurações.
Segundo a Polícia Civil, Jailton era marido da vítima e pai da criança.
Tentativa de fuga
Em entrevista ao Muvuca Poular o delegado Daniel Moura afirmou que, em depoimento, o criminoso disse que a discussão começou por volta das 7h, na casa onde ele vivia com Taymilla e os filhos. Jailton afirmou que o desentendimento teve início porque a mulher queria deixar a propriedade e ir para Porto Alegre do Norte, onde aguardava que os patrões fossem buscá-la.
Durante a briga, Jailton sofreu um ferimento na cabeça e alegou ter sido atingido pela mulher com um pedaço de madeira.
Para o delegado, no entanto, existe a possibilidade de que o ferimento tenha ocorrido quando Taymilla tentava se defender do ataque. A Polícia Civil ressaltou que a lesão não justifica a violência praticada contra a mulher e o bebê. A dinâmica completa do crime ainda será esclarecida após a conclusão dos exames periciais.
A investigação aponta ainda que Taymilla tentou deixar o local. A vítima chegou a ligar para a própria mãe pedindo ajuda e foi encontrada, junto com o bebê, a cerca de 700 metros da casa onde morava com Jailton.
O irmão de Jailton, de 18 anos, também presenciou parte do ataque. Conforme relatado à Polícia Civil, ele viu o suspeito puxando os cabelos da irmã enquanto desferia os golpes de canivete. Naquele momento, o bebê ainda estava vivo e chorava muito.
O rapaz deixou o local para buscar ajuda.
Suspeito não demonstrou emoção
Em depoimento, Jailton afirmou estar arrependido, mas, segundo o delegado Daniel Moura, não demonstrou emoção ao falar sobre as mortes.
“Ele não esboçou nenhuma reação de choro e não se mostrou abalado. Apenas disse que se arrependia”, relatou o delegado ao Muvuca Popular.
Além do bebê morto, Taymilla e Jailton tinham outros três filhos, com idades entre 3 e 8 anos. As crianças estavam na casa dos avós no momento do crime.
Após o ataque, Jailton foi localizado dormindo durante as buscas realizadas pelas forças de segurança. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, ele foi preso sem oferecer resistência.
A Polícia Civil informou que o suspeito não possui antecedentes criminais.
“Tamanha brutalidade”
O delegado Daniel Moura afirmou que o caso chamou atenção pela violência empregada contra a mulher e o bebê.
Segundo ele, em aproximadamente dez anos de atuação nas polícias civis de São Paulo e Mato Grosso, nunca havia se deparado com um crime de tamanha brutalidade.
Jailton deverá responder por feminicídio com agravantes, considerando que a vítima era mãe e que o crime também resultou na morte do filho do casal. A investigação continua para esclarecer a motivação e todas as circunstâncias do duplo homicídio.



