EMERGÊNCIA CARDIOLÓGICA
Integração entre Samu, Bombeiros e Hospital Central aumenta precisão no atendimento a infartos em Mato Grosso
Muvuca Popular
No primeiro mês de funcionamento do Protocolo de Emergência para Infarto Agudo do Miocárdio, 89% dos pacientes com dor torácica encaminhados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso ao Hospital Central de Alta Complexidade precisaram de atendimento cardiológico especializado. O resultado demonstra a assertividade do novo fluxo assistencial criado para acelerar o diagnóstico e o tratamento de casos suspeitos de infarto.
Implantado no fim de junho, o protocolo criou um fluxo integrado para qualificar o atendimento de pacientes com 45 anos ou mais que apresentem dor torácica e suspeita de infarto. Por meio de critérios definidos para identificação de casos de maior risco ainda no atendimento pré-hospitalar, a estratégia agiliza o encaminhamento à alta complexidade, reduz atrasos no diagnóstico e tratamento e evita encaminhamentos inadequados na rede de saúde.
Entre 22 de junho e 28 de julho, 46 pacientes foram incluídos no protocolo. Desses, 29 foram encaminhados ao Hospital Central pelo Samu ou pelo Corpo de Bombeiros, acionados pelos telefones 192 e 193. Três pacientes já chegaram com diagnóstico pré-hospitalar de infarto agudo do miocárdio. Outros 26 precisaram de atendimento especializado para tratamento de diferentes condições cardiovasculares, identificadas ou confirmadas após avaliação hospitalar.
O coordenador médico do Hospital Central, Thales Chelala, avalia que os resultados iniciais demonstram a efetividade da estratégia.
“Quando observamos que 26 dos 29 pacientes encaminhados necessitaram de recursos de alta complexidade, fica evidente que o protocolo está direcionando corretamente os casos de maior risco para o Hospital Central. Essas pessoas receberam o diagnóstico e o tratamento adequados no local mais indicado para o seu perfil clínico”, afirmou.
A regulação dos pacientes, realizada ainda durante o atendimento pré-hospitalar por médicos vinculados aos serviços de urgência, levou em média cinco minutos até a definição do encaminhamento ao Hospital Central.
“Os pacientes com suspeita de infarto que precisam estão recebendo atendimento cardiológico de alta complexidade no Hospital Central de forma célere graças ao protocolo que identifica os casos de maior risco. O mais importante é que esse novo fluxo assistencial salva vidas”, avalia a secretária adjunta do Complexo Regulador da SES-MT, Fabiana Bardi.
Já na unidade, administrada pelo Einstein Hospital Israelita, o tempo médio para definição diagnóstica foi de 4,3 minutos, com suporte da telemedicina da matriz do Einstein, em São Paulo. O indicador é inferior ao limite de dez minutos recomendado pela American Heart Association e adotado pela organização.
Quanto aos desfechos clínicos dos 29 casos, 56% dos infartos constatados que passaram pelo serviço de hemodinâmica para realização de cateterismo na unidade tiveram o quadro de insuficiência cardíaca evitado pelo processo terapêutico oportuno; 48% dos pacientes foram internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI); 20% passaram por uma angiotomografia, exame de alta complexidade ofertado na linha cardíaca do Hospital Central; e 7% evoluíram para o óbito.
Para o diretor de Saúde do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, coronel Jean Oliveira, os primeiros resultados indicam que a integração entre as equipes está fortalecendo a linha de cuidado dos pacientes cardíacos.
“Ficou alinhado com o Hospital Central que, dentro dos critérios clínicos e de avaliação de risco, os pacientes elegíveis sejam encaminhados diretamente para atendimento especializado. É um protocolo novo, mas os resultados mostram que estamos no caminho certo”, destacou.
Além das cirurgias cardíacas abertas, o Hospital Central conta com dois equipamentos de hemodinâmica para realização de cateterismos, angioplastias e outros procedimentos minimamente invasivos na área de cardiologia. A unidade estadual atende exclusivamente pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).



