COMBATE AO CRIME
Procurador defende atuação conjunta entre MPF e PF contra organizações criminosas
Muvuca Popular
O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, defendeu a adoção de estratégias coordenadas e integradas para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais. Segundo ele, o avanço da criminalidade exige cooperação permanente entre instituições brasileiras e autoridades de outros países.
A declaração foi feita durante um evento promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O encontro reúne ministros, representantes de países, parceiros estratégicos e especialistas para discutir ações conjuntas contra o crime organizado na América Latina e no Caribe.
Durante o painel sobre persecução penal integrada, Gonet afirmou que as organizações criminosas estão cada vez mais complexas e tecnicamente sofisticadas. Diante desse cenário, destacou a necessidade de fortalecer os mecanismos de investigação, responsabilização e julgamento dos crimes transnacionais.
“As operações mais bem-sucedidas são justamente aquelas que conjugam os esforços do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, com clara definição de responsabilidades, confiança institucional, compartilhamento adequado de informações e coordenação efetiva do trabalho investigativo”, afirmou.
O procurador-geral também ressaltou o papel dos Grupos de Apoio ao Enfrentamento do Crime Organizado, os Gaecos, em investigações de maior complexidade. As equipes especializadas atuam no suporte aos membros do MPF, especialmente em casos relacionados ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes que colocam a segurança da população em risco.
Além dos grupos regionais, há o Gaeco Nacional, responsável por auxiliar investigações com alcance interestadual, nacional ou com ramificações em outros países.
Gonet destacou ainda que a cooperação internacional tem permitido a formação de equipes conjuntas de investigação e o compartilhamento de provas, dados de inteligência, estratégias e ferramentas tecnológicas. Segundo ele, essa integração tem produzido resultados em casos envolvendo tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos.
Como exemplo, o PGR citou uma iniciativa entre os Ministérios Públicos do Brasil, Chile e Colômbia para o compartilhamento de tecnologias e estratégias contra o crime organizado.
Ao final, Gonet afirmou que a cooperação entre os países não deve ocorrer apenas depois da prática dos crimes, mas de forma contínua, estruturada e preventiva. Para ele, a especialização das equipes e o diálogo permanente entre as instituições são fundamentais para reduzir a atuação das organizações criminosas e ampliar a segurança da sociedade.



