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DISPUTA POR ESPAÇO

Mulheres ainda são minoria entre candidatos e eleitos para a Assembleia de MT

Gustavo Castro

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A participação feminina na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) continua distante da representação masculina e, em números absolutos, encolheu nas eleições de 2026 em relação ao último pleito estadual. Há quatro anos, 113 mulheres disputaram uma vaga na ALMT. Neste ano, são aproximadamente 90 candidatas entre os 264 nomes registrados para a disputa, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Apesar da redução de cerca de 20% no número de candidatas, a proporção feminina permanece praticamente estável. As mulheres representam 34% das candidaturas à Assembleia em 2026, enquanto os homens correspondem a 66%. Em 2022, eram 113 mulheres contra 216 homens, em um universo de 329 candidatos. A legislação eleitoral estabelece percentual mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero nas chapas proporcionais.

A baixa presença feminina também apareceu no resultado das urnas de 2022. Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, apenas uma foi conquistada por uma mulher: Janaina Riva (MDB), que foi reeleita com 82.124 votos e se tornou novamente a parlamentar mais votada do estado. A composição deixou Mato Grosso entre as Assembleias com menor representação feminina do país, com apenas 4,1% das cadeiras ocupadas por uma mulher.

Rodízio ampliou presença feminina

Embora apenas Janaina tenha sido eleita diretamente em 2022, a 20ª Legislatura registrou um movimento inédito de ampliação temporária da presença feminina no plenário. Ao longo do mandato, outras seis mulheres assumiram cadeiras como suplentes: Sheila Klener, Sandy de Paula, Priscila Dourado, Marildes Ferreira, Professora Graciele e Valdeniria Dutra.

Em julho de 2025, a Assembleia chegou a ter, pela primeira vez em sua história, três mulheres exercendo simultaneamente o mandato: Janaina Riva, Professora Graciele e Valdeniria Dutra. Na ocasião, a participação feminina no plenário chegou a 12,5%, contra os 4,17% registrados quando apenas Janaina estava em exercício.

O movimento, contudo, ocorreu por meio do chamado rodízio parlamentar e não alterou a composição original das 24 cadeiras conquistadas nas urnas. A Assembleia segue, portanto, com uma representação feminina efetiva muito inferior à masculina.

Janaina foi exceção também na Mesa

Janaina Riva também se destacou por ocupar espaço na direção da Assembleia. No primeiro biênio da atual legislatura, 2023-2025, ela integrou a Mesa Diretora como primeira vice-presidente, permanecendo no cargo em uma posição de protagonismo dentro do Legislativo estadual.

Na eleição da Mesa para o segundo biênio, porém, Janaina acabou ficando fora da composição. À época, a deputada lamentou a ausência de mulheres na direção da Casa e afirmou que considerava uma frustração, como mulher, não ocupar novamente um espaço na Mesa Diretora.

O cenário ganha ainda mais relevância nas eleições deste ano porque Janaina, justamente a única mulher eleita diretamente para a ALMT em 2022 e principal nome feminino da Casa nos últimos anos, deixou a disputa proporcional. Ela concorre agora a uma das duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal.

Cuiabá apresenta cenário diferente

Se a Assembleia ainda apresenta baixa participação feminina, a Câmara Municipal de Cuiabá vive um movimento oposto. Nas eleições de 2024, oito mulheres foram eleitas para o Legislativo da Capital, formando a maior bancada feminina da história da Casa.

Samantha Iris, Maysa Leão, Paula Calil, Michelly Alencar, Maria Avalone, Doutora Mara, Baixinha Giraldelli e Katiuscia foram eleitas para a legislatura iniciada em 2025. As oito representam 30% das 27 cadeiras da Câmara.

O salto foi expressivo em relação à legislatura anterior. Antes das eleições de 2024, Cuiabá tinha apenas três mulheres com mandato, número que chegou a ser reduzido para duas após a cassação de Edna Sampaio (PT). Com o resultado das urnas, a bancada feminina mais que dobrou.

O avanço não ficou restrito ao número de cadeiras. Em janeiro de 2025, a Câmara de Cuiabá elegeu, pela primeira vez, uma Mesa Diretora formada exclusivamente por mulheres. Paula Calil assumiu a presidência, tendo Maysa Leão como primeira vice-presidente. Michelly Alencar ficou com a segunda vice-presidência, enquanto Katiuscia Manteli e Doutora Mara ocuparam as secretarias.

O contraste entre os dois Legislativos é evidente: enquanto a Câmara de Cuiabá avançou de uma bancada reduzida para oito vereadoras e passou a ser comandada integralmente por mulheres, a Assembleia Legislativa ainda dependeu, nesta legislatura, do rodízio de suplentes para ampliar temporariamente a presença feminina no plenário.

Para 2026, a disputa pela ALMT terá ainda um componente simbólico: pela primeira vez em três eleições consecutivas, JanaIna Riva não estará entre as candidatas a deputada estadual. Ao mesmo tempo, cerca de 90 mulheres tentam ocupar uma das 24 cadeiras da Casa, em um cenário que ainda reproduz a predominância masculina na política estadual.

Os números podem sofrer alterações enquanto os registros de candidatura são analisados pela Justiça Eleitoral.

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