O ex-governador e candidato ao Senado, Mauro Mendes, afirmou que a denúncia que deu origem à Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal no início deste mês, foi motivada pelo “ódio” e pelo “rancor” do também ex-governador Pedro Taques. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal da Verde, na manhã desta quarta-feira (19).
A operação investiga um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi S.A., que resultou no pagamento de R$ 308,1 milhões. Durante a ofensiva, Mendes, a esposa e os filhos tiveram os passaportes apreendidos por determinação judicial.
Ao comentar o caso, Mendes negou qualquer irregularidade e afirmou que o acordo foi conduzido pela Procuradoria-Geral do Estado, formada por servidores concursados. Segundo ele, procedimentos semelhantes já foram adotados em quase uma centena de processos com o objetivo de reduzir prejuízos aos cofres públicos.
O ex-governador também declarou que o acordo passou pela análise do Ministério Público de Contas, do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público Estadual. Conforme Mendes, os órgãos não identificaram ilegalidades e reconheceram que os cálculos estavam corretos e eram vantajosos para o Estado.
Mendes direcionou as críticas a Pedro Taques, apontado por ele como autor da denúncia que embasou a investigação da Polícia Federal. Para o candidato, o ex-governador teria agido por ressentimento político após perder a eleição.
“Pedro Taques está com ódio. Ele está nessa eleição não para ganhar, porque sabe que não ganha. Está lá para tentar destruir. Ele faz política pelo ódio, pelo rancor e pela dor de cotovelo”, afirmou.
O candidato ainda acusou Taques de apresentar informações juridicamente falsas às autoridades e questionou o fato de a Polícia Federal ter dado andamento à denúncia, apesar das análises favoráveis emitidas por outras instituições.
“Pegaram a denúncia feita por um adversário nosso, com um monte de mentiras jurídicas. Qualquer estagiário de Direito consegue entender que não é como ele escreveu”, declarou.
Apesar das críticas, Mendes disse acreditar na Polícia Federal e afirmou não se opor à investigação. Ele ponderou, no entanto, que nenhuma instituição está livre da atuação irregular de alguns integrantes.
“Temos quatro instituições dizendo que está tudo certo e a Polícia Federal dizendo que vai investigar. Está bom, pode investigar”, disse.
Mendes também avaliou que a apreensão dos passaportes teve caráter político e serviu para vinculá-lo diretamente ao caso às vésperas das eleições. Segundo ele, a Polícia Federal tem realizado operações contra adversários do PT e de determinados grupos políticos locais durante o período eleitoral.



