O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), defendeu que o Senado adote providências após a divulgação de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um contato identificado como sendo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Para ele, a omissão diante dos fatos expostos pode enfraquecer e desmoralizar a instituição.
“Eu vejo com tristeza. Acho lamentável termos pessoas públicas envolvidas com esses escândalos nacionais. No caso Vorcaro, a gente vê falar em cifras de bilhões e bilhões. Fico espantado, porque nem sei mais quantos bilhões existem nessa situação”, afirmou nesta quarta-feira (2).
Russi defendeu que os senadores adotem providências e avaliem a abertura de um processo para apurar os fatos. O deputado, no entanto, não detalhou qual procedimento deveria ser instaurado.
“O Senado tem que agir. A gente não pode ficar passivo uma vida toda. Se não agir diante do que está sendo exposto, da forma como está sendo colocado, desmoraliza muito o Senado da República”, declarou.
O parlamentar lembrou que o Senado é formado por 81 integrantes e reúne políticos com experiência, como ex-governadores e outras lideranças com trajetória pública. Segundo ele, cabe à chamada Casa Alta atuar na defesa das instituições e da República.
“Quero acreditar no Senado da República e que ele vá atuar. Tem que tomar providências, abrir o processo. Tem que ser feito alguma coisa, porque, se não fizer nada, enfraquece muito”, acrescentou.
O relatório da Polícia Federal teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento reúne mensagens enviadas por Vorcaro a um número salvo no celular do ex-banqueiro como “Alexandre de Moraes Brasília”.
As mensagens eram escritas no aplicativo de notas, fotografadas e encaminhadas pelo WhatsApp no formato de visualização única. A PF recuperou o conteúdo por meio do cruzamento de horários, capturas de tela, arquivos temporários e registros de envio.
O documento, porém, apresenta somente as mensagens atribuídas a Vorcaro e não mostra eventuais respostas do destinatário. Assim, o material, isoladamente, não comprova que Moraes tenha respondido ou atendido às solicitações enviadas pelo banqueiro.
Vorcaro está preso no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A Polícia Federal apura um suposto esquema de valorização artificial da instituição financeira para transmitir uma imagem de solidez, atrair investidores e realizar operações sem garantias suficientes.
Para Russi, a ausência de uma resposta institucional pode aumentar a sensação de impunidade e passar à população a impressão de que pessoas influentes recebem tratamento diferenciado.
“Vai banalizar tudo. Então pode tudo? Quem tem poder e força consegue, e quem não tem se prejudica? Não pode ser assim. Ninguém pode julgar se não estiver com a consciência muito tranquila para fazer o julgamento”, concluiu.



