NADA A TEMER
“Minhas contas estão à disposição e meu sigilo pode ser quebrado”, diz Gilberto sobre contratos da Saúde
Patrícia Neves/ Renato Ferreira/Gustavo Castro
O ex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo negou ter recebido propina em contratos firmados durante a pandemia da Covid-19 e afirmou que possui atualmente um patrimônio menor do que quando assumiu o comando da pasta. A declaração foi dada na tarde desta quarta-feira (2), após a suspensão dos trabalhos da CPI da Saúde, que retomará as atividades em 7 de outubro. Gilberto seria ouvido pelos membros da CPI na tarde de hoje e compareceu à sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
“Minhas contas estão à disposição. Meu sigilo bancário pode ser quebrado e meu patrimônio pode ser investigado. Toda vez que sou candidato, tenho que apresentar uma declaração do que tenho. Tenho menos hoje do que quando tomei posse como secretário de Estado de Saúde”, afirmou.
Gilberto foi questionado sobre contratos que somam mais de R$ 4,2 milhões, firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia e investigados sob suspeita de irregularidades. Conforme apurado pela CPI, a empresa contratada era registrada como clínica de dermatologia e estética e não teria experiência comprovada na gestão de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) também apontaram indícios de fraude na dispensa de licitação.
Ao responder sobre o caso, o ex-secretário afirmou que o contrato já teria sido analisado pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público. Segundo ele, uma decisão de arquivamento do MP seria apresentada durante sua participação na CPI.
“Essa empresa, esse contrato, já foram investigados pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público. Eu ia apresentar aqui hoje uma decisão de arquivamento do Ministério Público, que não encontrou nenhuma evidência de irregularidade nesse contrato. Eu não temo nenhuma investigação a respeito disso”, declarou.
O ex-secretário também sustentou que aceitou comandar a Saúde por acreditar que tinha uma missão a cumprir, apesar de ter deixado o cargo de vereador em Cuiabá para receber uma remuneração menor no Executivo estadual.
“Eu não aceitei o cargo com a intenção de ter algum tipo de lucro. Aceitei porque tinha um compromisso e achava que Deus me convocava para isso. Tenho certeza de que, com a vontade de Deus, fizemos a melhor gestão da saúde que este Estado poderia ter”, disse.
Gilberto acrescentou que a SES respondeu aos questionamentos encaminhados durante sua administração e afirmou não haver fatos novos relacionados ao período da pandemia que ainda não tenham sido esclarecidos oficialmente pela pasta. Ele ressaltou, porém, que deixou o cargo em 30 de março deste ano e que não pode responder pela gestão atual.
A oitiva do ex-secretário seria realizada nesta quarta-feira, mas foi adiada após a CPI aprovar a suspensão temporária das reuniões durante o período eleitoral. A comissão continuará recebendo denúncias e documentos e deve apresentar, ainda neste mês, um relatório parcial das investigações. Os trabalhos serão retomados em 7 de outubro.



