PERDAS MILIONÁRIAS
Abilio acusa AL de virar as costas para Cuiabá e cobra reação a perdas de R$ 100 milhões
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), acusou a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) de “virar as costas” para a capital em discussões envolvendo a divisão do ICMS e os limites territoriais do município. Segundo o gestor, as mudanças nas regras de distribuição do imposto provocam uma perda anual estimada em R$ 100 milhões aos cofres cuiabanos.
Abilio afirmou que a cobrança não representa uma disputa contra os demais municípios, mas uma defesa do orçamento e do território da capital. Para ele, mesmo com bons indicadores, Cuiabá foi prejudicada pelas mudanças aprovadas pelos deputados estaduais.
““A Assembleia tem virado as costas na defesa do município de Cuiabá em algumas das pautas. Algumas das pautas em que a gente tenta se defender, como a defesa do nosso território e a defesa do nosso orçamento. Não é uma briga. Seria uma briga se a gente fosse travar algum tipo de conflito. A gente foi muito prejudicado nos últimos anos. Ainda que seja o melhor município do Estado, ainda que tenha os melhores indicadores, perderemos em torno de R$ 100 milhões por ano”, declarou.
A mudança citada pelo prefeito foi aprovada em 2022 e alterou os critérios utilizados para dividir entre os municípios os 25% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aos quais as prefeituras têm direito.
Além das perdas financeiras, Abilio criticou a falta de solução para a divergência sobre a área onde está sendo construído o novo Hospital Universitário Júlio Müller. Atualmente, Cuiabá e Santo Antônio de Leverger disputam oficialmente a localização do terreno.
Segundo o prefeito, a Assembleia ainda não concluiu a revisão dos limites territoriais, apesar das manifestações da universidade, do Governo do Estado e de outros órgãos envolvidos no projeto.
“Diálogo tem, falta ação. Até hoje não resolveram a questão do Hospital Júlio Müller. Eu não peço para paralisar a obra, porque não quero prejudicá-la, mas fica dependendo da benevolência dos deputados para regularizar aquela situação”, afirmou.
A obra segue em andamento, enquanto estudos técnicos são preparados para definir a qual município pertence a área. Apesar da disputa territorial, o hospital terá caráter federal e universitário, com atendimento destinado à população dos 142 municípios de Mato Grosso.
Abilio também cobrou uma participação mais efetiva dos deputados na defesa dos interesses da capital. Ele afirmou que alguns parlamentares anunciam recursos para Cuiabá, mas não concretizam os repasses.
Como exemplo, voltou a acusar Wilson Santos de prometer dinheiro para a regularização do Contorno Leste sem enviar valores ao município. “Falou que ia mandar dinheiro para regularizar o Contorno Leste e não mandou um centavo. Só mentira atrás de mentira”, atacou.
O prefeito defendeu ainda a ampliação dos serviços especializados de saúde em cidades como Sinop, Rondonópolis e Tangará da Serra. Segundo ele, a concentração dos atendimentos em Cuiabá aumenta a pressão financeira sobre a rede municipal, que recebe pacientes de diferentes regiões.
“É papel da capital se especializar no atendimento de saúde, mas também é papel da capital defender o seu orçamento e o seu território”, concluiu.



