CRIME EM LUCAS DO RIO VERDE
“A cada BO, um novo vídeo”, diz advogado denunciado pela família de feminicida
O advogado Rodrigo Pouso prometeu divulgar novos vídeos relacionados ao feminicídio de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, após ser denunciado à Polícia Civil pela família do engenheiro Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa com 16 facadas. A declaração foi publicada nas redes sociais nesta sexta-feira (11).
Pouso representa familiares de Gleici e tem divulgado gravações das câmeras de segurança da casa onde o crime ocorreu. Em resposta aos boletins de ocorrência registrados contra ele, o advogado afirmou que tornará públicas outras imagens do caso.
“A cada B.O., um novo vídeo”, disse nas redes sociais.
As gravações mostram momentos anteriores e posteriores ao crime, ocorrido no dia 24 de junho de 2025, em Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá). A divulgação ocorre enquanto a família da vítima tenta levar Daniel a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O advogado também questionou o fato de um familiar do engenheiro ter registrado uma ocorrência em nome da filha adolescente de Daniel. A jovem também foi esfaqueada pelo pai e é apontada como vítima de tentativa de feminicídio.
“O que eu não entendi aqui, não sei o que está acontecendo, está perdido de vez, porque o Thi, que, segundo informações, é curador do irmão, fez um boletim de ocorrência também em nome da menor, que foi esfaqueada pelo pai, mas eu que sou advogado dela. Como você faz um B.O. com o nome da minha cliente?”, questionou Pouso.
Na sequência, o advogado afirmou que pretende cobrar esclarecimentos sobre o suposto não pagamento de pensão à adolescente.
“Ué, não estou entendendo. Tem que ficar preocupado de vocês pagarem a pensão. Vocês não estão pagando a pensão da menor? Vamos conversar sobre isso também”, declarou.
O caso
Gleici foi morta dentro de casa após ser atingida por 16 golpes de faca. Daniel foi preso depois do crime, mas posteriormente encaminhado a uma clínica particular de recuperação, pelo valor de R$ 200 mil, após a apresentação de um laudo psiquiátrico da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec).
O documento apontou possível inimputabilidade em razão do estado de saúde mental do engenheiro. A conclusão é contestada pela família de Gleici, que utiliza as imagens das câmeras de segurança para defender que o acusado tinha consciência dos atos praticados.
O reconhecimento da inimputabilidade pode impedir que Daniel seja submetido a uma pena comum e resultar na aplicação de medida de segurança. A definição, porém, depende das decisões judiciais tomadas no processo.



