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OPERAÇÃO FARISEUS

Missionária mantinha relação com dois líderes de facção e ostentava Porsche de R$ 600 mil

Muvuca Popular

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Um triângulo amoroso envolvendo dois nomes apontados pela Polícia Civil como lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e uma rotina de ostentação com carros de luxo, joias e viagens estão entre os pontos que chamaram a atenção dos investigadores no caso de Rhavenna Barcelos de Almeida, em matéria exibida neste domingo no Fantástico, da TV Globo.

Segundo a polícia, a missionária mantinha relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”, e também com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores da facção no estado.

Entre os bens exibidos por Rhavenna estava um Porsche avaliado em cerca de R$ 600 mil. De acordo com a investigação, o veículo pertencia a Batman, que esta foragido no Rio de Janeiro após romper a tornozeleira eletrônica poucos dias depois de passar para o regime semiaberto, em setembro de 2024.

A apuração da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) aponta que Rhavenna viajava com frequência ao Rio de Janeiro para encontrar Batman. Mensagens obtidas com autorização judicial indicam que ela sabia onde o criminoso estava escondido e chegou a receber dele a localização no Complexo do Alemão.

Os investigadores também encontraram registros da jovem em veículos de luxo, usando joias e participando de festas e viagens. Segundo a polícia, parte dessa rotina teria sido bancada com recursos ligados à organização criminosa.

Ao mesmo tempo, a investigação identificou que Rhavenna mantinha relação amorosa com Renildo Silva Rios, preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. A polícia afirma que ele ocupava posição de destaque dentro da facção e teria enviado presentes à missionária, incluindo joias e um veículo.

Conversas analisadas durante o inquérito, segundo a Draco, indicam que Rhavenna tinha conhecimento da influência exercida por Renildo dentro da organização criminosa.

A investigação, porém, vai além da vida pessoal da missionária. Rhavenna e os pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, são apontados pela Polícia Civil como integrantes de um esquema que teria usado atividades religiosas em unidades prisionais para se aproximar de membros da facção.

A família fazia parte de um grupo autorizado a prestar assistência religiosa em presídios de Mato Grosso. Conforme os investigadores, esse acesso teria sido utilizado para transmitir recados, emprestar contas bancárias para movimentação financeira e auxiliar na ocultação de valores provenientes do tráfico de drogas.

Mensagens, fotografias, áudios e vídeos obtidos durante a investigação mostram, segundo a polícia, a proximidade da família com integrantes da organização. Entre os registros estão imagens de Rhavenna com armas, dinheiro, joias e veículos de luxo.

Batman, um dos principais personagens do inquérito, cumpria pena na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, unidade frequentada pela família durante as atividades religiosas. Após conseguir progressão para o regime semiaberto, ele rompeu o equipamento de monitoramento eletrônico e fugiu para o Rio de Janeiro.

A investigação também alcançou outras mulheres que frequentavam presídios como missionárias. Segundo a Draco, algumas delas mantinham relacionamentos com traficantes e teriam prestado informações falsas em depoimentos, sendo indiciadas por falso testemunho.

Rhavenna, Orminda e Nivaldo foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.

A Justiça proibiu os investigados e outras quatro pessoas citadas no inquérito de participarem de atividades de assistência religiosa em unidades prisionais. A Secretaria de Justiça informou que reforçou a fiscalização contra a entrada e o uso de celulares na Penitenciária Central do Estado.

A defesa de Rhavenna negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo. A defesa de Orminda declarou que ela não possui participação em organização criminosa. Nivaldo morreu nesta semana em decorrência de um câncer.

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