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OPERAÇÃO FARISEUS

Denúncia detalha lavagem de dinheiro do CV feita por família de missionários

Nickolly Vilela

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Dinheiro em espécie guardado em residências, depósitos feitos em lotérica, transferências entre contas de parentes e valores fracionados para evitar alertas bancários. Essa era, segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a estrutura usada pelo núcleo familiar de Rhavenna Barcelos de Almeida para movimentar e ocultar recursos ligados a integrantes do Comando Vermelho em Mato Grosso.

A acusação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em crime organizado. O MP aponta Rhavenna, a mãe, Orminda Carlos de Barcelos, e Renildo Silva Rios como integrantes de um núcleo da facção. Outros parentes são acusados de participar da movimentação de bens e valores de origem ilícita.

Conforme a denúncia, parte do dinheiro chegava em espécie e era distribuída entre familiares para pagamento de despesas ou repasse a terceiros mencionados nas conversas como “meninos”. Outra estratégia seria espalhar os valores por diferentes contas bancárias, principalmente aquelas com menor movimentação, para reduzir o risco de bloqueios ou alertas.

Uma lotérica onde trabalhava Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, irmã de Rhavenna, também aparece no caminho do dinheiro. O Gaeco afirma que valores em espécie eram depositados no estabelecimento e, depois, transferidos entre integrantes da família. Anatany teria auxiliado na escolha das contas e no controle dos limites disponíveis para os depósitos.

Em uma das situações citadas pelo MP, em setembro de 2025, Rhuan Barcelos da Conceição, primo de Rhavenna, estava com R$ 7 mil em espécie. As mensagens mostram discussões sobre qual conta seria usada para receber o dinheiro. A de Orminda chegou a ser descartada porque, conforme uma das conversas, já havia recebido valores demais.

Dinheiro guardado em casa

Rhuan também é apontado como responsável por manter quantias em espécie na própria residência até que Rhavenna determinasse a destinação do dinheiro.

Para o Gaeco, as conversas demonstram uma tentativa de pulverizar os recursos entre parentes e diferentes contas bancárias. Em determinado momento, Rhuan teria demonstrado preocupação com o volume de dinheiro mantido em casa e pedido que os valores fossem retirados.

Conta da mãe

Orminda aparece como uma das principais destinatárias de valores identificados durante a investigação. O MP afirma que ela recebia dinheiro e posteriormente fazia transferências para Rhavenna.

Entre fevereiro e abril de 2025, o Gaeco identificou quatro repasses de Orminda à filha, nos valores de R$ 1 mil, R$ 1.240, R$ 250 e R$ 4 mil. Parte dos recursos, conforme a acusação, teria passado anteriormente por Anatany.

Em julho do mesmo ano, Rhavenna teria informado que depositou R$ 3,7 mil na conta da mãe para que o valor fosse posteriormente transferido. O MP usa o diálogo como um dos exemplos da circulação de dinheiro entre contas da família.

Orminda também teria recebido valores atribuídos a Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Recursos atribuídos a Renildo

Segundo o Ministério Público, os maiores valores movimentados pelo núcleo familiar estavam relacionados a Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Velhote” ou “Chapa”.

Renildo é apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e integrante do conselho da facção. Preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), ele acumula 13 condenações que somam mais de 76 anos de prisão, conforme a denúncia.

Mesmo encarcerado, Renildo teria continuado a movimentar recursos por intermédio de pessoas próximas. Conversas analisadas pelo Gaeco mostram familiares discutindo se ele havia enviado dinheiro, os valores recebidos e a forma como seriam divididos.

Rhavenna mantinha um relacionamento amoroso com Renildo e, conforme o MP, recebeu dele joias, flores, um veículo e transferências em valores fracionados.

“Presentes” e “bênçãos”

O Gaeco sustenta que parte dos recursos também era convertida em bens e benefícios. Nas conversas analisadas, aparecem expressões como “presentes” e “bênçãos”, interpretadas pelos investigadores, de acordo com o contexto, como referências a dinheiro enviado por integrantes da facção.

Em abril de 2026, por exemplo, Orminda teria informado à filha que um preso procurou Rhavenna pelas redes sociais para “mandar uma bênção”.

A denúncia também afirma que uma cirurgia plástica de Rhavenna teria sido custeada por um preso. Mensagens mostram que ela aguardava o pagamento antes de realizar o procedimento e, posteriormente, comunicou que a cirurgia havia sido feita.

Divisão entre familiares

Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, conhecida como “Lolo”, irmã de Rhavenna, também aparece na acusação. Em um dos diálogos citados pelo Gaeco, Orminda confirma o recebimento de dinheiro e afirma que o valor deveria ser dividido entre ela, Rhavenna e Lo Rhuama.

Para o Ministério Público, Rhavenna, Orminda, Anatany, Rhuan e Lo Rhuama tiveram diferentes funções na movimentação e ocultação dos recursos. Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna, também é mencionado ao longo da investigação como participante da dinâmica financeira da família.

Na denúncia apresentada à Justiça, Rhavenna, Orminda e Renildo são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Rhuan, Anatany e Lo Rhuama são denunciados por lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada um.

O caso agora está sob análise da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

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