MISSIONÁRIA DO CV
Conselheiro do CV teria bancado carro, joias e repasses para namorada, diz denúncia
Nickolly Vilela
Joias, flores, um veículo, parcelas de carro pagas e envio de valores em dinheiro. Segundo denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, esse conjunto de benefícios ajuda a dimensionar o poder financeiro atribuído a Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Velhote” ou “Chapa”, apontado pelo Gaeco como “conselheiro final” do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Renildo está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) e acumula 13 condenações que somam 76 anos, 2 meses e 24 dias de prisão. Mesmo encarcerado, teria continuado movimentando recursos e beneficiando pessoas próximas, conforme diálogos e registros analisados durante a investigação.
Parte desses benefícios teria sido destinada a Rhavenna Barcelos de Almeida, com quem Renildo mantinha um relacionamento amoroso. A denúncia cita fotos íntimas do casal, conversas por vídeo e registros de presentes entregues a ela, entre eles joias, flores e um veículo, além do envio de valores fracionados.
Em fevereiro deste ano, uma conversa entre Rhavenna e a mãe, Orminda Carlos de Barcelos, também teria revelado o pagamento de parcelas de um carro. Após enviar um comprovante de transferência, Rhavenna explica que o dinheiro seria usado para pagar o veículo e afirma que “ele mandou” o valor da parcela.
No mesmo diálogo, Orminda menciona a possibilidade de quitação do automóvel e Rhavenna comenta que, pelo menos, ele estava pagando o carro. O próprio documento ressalva que a referência seria possivelmente a Renildo.
O nome de Renildo aparece ainda de forma recorrente nas conversas sobre movimentação financeira da família. Segundo o Ministério Público, parentes questionavam se ele havia enviado dinheiro, quanto havia mandado e como os valores seriam divididos. O Gaeco afirma que os maiores montantes identificados na suposta lavagem de dinheiro pertenciam ao conselheiro.
É nesse contexto que surge uma das frases destacadas na denúncia. Em uma conversa sobre dinheiro que estaria sob a guarda de uma presa, Orminda diz a Rhavenna: “tá vendo como tem dinheiro”. A filha responde que o valor seria de Renildo. Para os investigadores, o diálogo indicaria que a presa estaria custodiando recursos dele.
Em outro diálogo, de março de 2026, Rhavenna teria relacionado diretamente o poder aquisitivo de Renildo ao posto que ele ocupava na organização criminosa. O Ministério Público sustenta que a conversa associa a disponibilidade financeira à função de “conselheiro final” do Comando Vermelho.
A denúncia também cita uma cirurgia plástica de Rhavenna custeada por um preso. Em mensagens analisadas pelo Gaeco, ela afirma que aguardava o pagamento para realizar o procedimento. Posteriormente, segundo o documento, a cirurgia foi realizada.
Para o Gaeco, os registros mostram que o poder de Renildo não se limitava ao cargo ocupado dentro da facção. Mesmo preso, ele teria mantido capacidade para enviar recursos, financiar despesas e movimentar valores por intermédio de pessoas próximas.
Renildo foi denunciado pelo Ministério Público ao lado de Rhavenna e Orminda por organização criminosa e lavagem de dinheiro.



