CAMPANHA DIGITAL
IA reforça bolhas políticas mais do que conquista votos, avalia analista político de MT
Thalyta Amaral
Em meio ao avanço do uso da inteligência artificial (IA) nas eleições deste ano, a tecnologia pode ter mais força para reforçar opiniões de quem já escolheu um lado do que para conquistar novos votos. A avaliação é do analista político de Mato Grosso João Edisom de Souza, que vê a disputa eleitoral cada vez mais concentrada em bolhas políticas.
Para o analista, a forma como os eleitores consomem informações nas redes sociais ajuda a explicar esse fenômeno. Em vez de analisar apenas o conteúdo de uma notícia, parte do público leva em consideração quem publicou a informação e, principalmente, se ela favorece ou prejudica o grupo político com o qual se identifica.
“As pessoas passaram a acreditar ou desacreditar da notícia não pela notícia, mas por quem fala. Se o cara fala do meu lado, pode ser até uma fake news que eu vou, além de acreditar, reproduzir. Se for contra mim, pode ser a maior verdade, eu vou dizer que é mentira, que é perseguição, que é qualquer coisa”, afirmou.
É nesse ambiente que, segundo João Edisom, a inteligência artificial ganha espaço durante a campanha eleitoral. Ferramentas capazes de produzir textos, imagens, áudios e vídeos em poucos segundos aumentaram a capacidade de produção e circulação de conteúdo político nas redes.
Para ele, porém, isso não significa necessariamente que a tecnologia consiga fazer um eleitor abandonar um candidato para votar em outro. “A IA serve muito mais para alimentar as próprias bolhas do que para conquistar novos eleitores”.



