O dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato, de Cuiabá, foi identificado como um dos alvos da Operação Apolônia, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (17) para investigar supostos crimes de peculato e lavagem de dinheiro envolvendo recursos do Conselho Federal de Odontologia (CFO).
A investigação apura possíveis irregularidades na destinação de aproximadamente R$ 40 milhões do conselho, que teriam sido repassados a uma empresa privada responsável pela gestão de investimentos.
Ao todo, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em São Paulo e Mato Grosso. Durante as diligências, foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em espécie e veículos. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 57 milhões em contas e bens ligados às pessoas físicas e jurídicas investigadas, incluindo ex-dirigentes do CFO e empresários.
Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo dispersão dos valores recebidos, transferências entre empresas e pessoas relacionadas aos investigados e remessas de recursos para o exterior.
CRO-MT já havia cobrado apuração
As denúncias envolvendo possíveis irregularidades no sistema do CFO já haviam motivado uma manifestação formal do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT).
Em 28 de abril de 2025, o órgão encaminhou ao Conselho Federal um ofício, solicitando a adoção de providências para a apuração transparente e legal dos fatos relatados.
No documento, o CRO-MT destacou a necessidade de que eventuais irregularidades fossem investigadas com rigor, dentro dos trâmites legais e regimentais, além de cobrar uma devolutiva do CFO e a adoção das medidas cabíveis.
“Reiteramos a importância de que eventuais irregularidades sejam investigadas com rigor, dentro dos trâmites legais e regimentais, garantindo a ética e a credibilidade da categoria odontológica”, diz trecho do documento assinado pela presidente do CRO-MT, Dra. Wânia Dantas.
O conselho regional também afirmou que aguardava, com brevidade, esclarecimentos e medidas resolutivas por parte do CFO.
Outro lado
Em nota, o Conselho Federal de Odontologia informou que tomou conhecimento da Operação Apolônia e afirmou que os fatos investigados estão relacionados a investimentos realizados por uma gestão anterior da entidade.
O CFO esclareceu que a gestão à época responsável pelos fatos investigados já havia sido afastada por decisão da Justiça Federal, em razão de irregularidades identificadas na destinação dos recursos do conselho.
O atual presidente do CFO, Jairo Santos Oliveira, assumiu a gestão da entidade em 28 de janeiro de 2026, por designação da Justiça Federal. Segundo o conselho, desde então, ele tem colaborado com a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) no esclarecimento dos fatos e na responsabilização dos envolvidos.
O CFO informou ainda que três ex-dirigentes já haviam sido condenados solidariamente pelo TCU a devolver mais de R$ 50 milhões aos cofres do conselho.
Além disso, em 26 de agosto de 2026, a atual gestão julgou e reprovou as contas do CFO relativas ao período em que os investimentos investigados eram contabilizados.
O Conselho Federal de Odontologia afirmou que acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.



