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ALVO DO NACO

Ex-prefeito diz que operação a 10 dias da eleição é política e nega irregularidades

Muvuca Popular

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O ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual Alcino Barcelos (PL) afirmou, nesta sexta-feira (25), que vê motivação política na operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência. Ele também se manifestou sobre uma arma e dinheiro encontrados no imóvel.

“Hoje cedo a polícia foi na minha casa faltando 10 dias para a eleição. Por que não foi 90 dias antes para dar tempo de se defender? É isso que me deixa triste com esse país nosso. Usando a Justiça para fazer injustiça”, declarou Alcino em vídeo divulgado após a ação.

Alcino está entre os alvos das 12 ordens judiciais cumpridas pelo Naco em Pontes e Lacerda. A investigação apura supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura entre 2017 e 2024, incluindo possíveis crimes de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Ao comentar a busca realizada em sua residência, o ex-prefeito afirmou que uma arma encontrada no imóvel seria uma relíquia deixada pelo pai. Segundo ele, tratava-se de uma garrucha calibre 28, sem munição.

“Lá dentro de casa tinha uma arma que meu velho pai me deu, uma garrucha 28, sem munição, toda limpadinha, bonitinha, que eu guardo de relíquia. Eu não tenho arma em casa”, afirmou.

Alcino também declarou que havia dinheiro em sua residência, mas sustentou que o valor estava no quarto e não teria sido escondido. “O dinheiro que estava dentro de casa estava no meu quarto, não estava escondido, não estava nada. E, se fosse um dinheiro sujo, não estava na minha casa. Isso é política”, disse.

O ex-prefeito também saiu em defesa da Concretubos Pré-Moldados Ltda., empresa que aparece no centro das apurações. Segundo o Naco, há indícios de favorecimento da empresa em contratos celebrados com o município. Cinco contratos firmados entre 2022 e 2023 somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões, montante que, atualizado, chega a R$ 5,78 milhões.

Alcino argumentou que as contratações ocorreram por meio de pregões, modalidade em que outras empresas poderiam participar da disputa.

“Eu tenho pena mesmo sabe de quem? Da Concretubos, uma empresa pequena que sempre participou de pregão. Se fosse pelo menos adesão de ata, fosse registro de preço, coisa parecida. Foi pregão, pregão. Todo mundo podia participar”, declarou.

Além dos contratos, a investigação alcança a aquisição de uma propriedade rural atribuída ao ex-prefeito. Segundo a apuração, a negociação da Estância Rancho Fundo I previa o pagamento com 100 cabeças de gado Nelore, mas os investigadores apontam que não localizaram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.

As medidas judiciais incluem buscas e apreensões, acesso a dados telemáticos, quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro, além da indisponibilidade de bens, direitos e valores dos investigados.

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