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“Eleição é safra para o senhor”, dispara Pivetta contra Wellington em debate

Patrícia Neves/Renato Ferreira

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O governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) rebateu, na noite desta terça-feira (29), as críticas de Wellington Fagundes (PL) sobre a política de incentivos fiscais de Mato Grosso e afirmou que o adversário “falta com a verdade”. O embate ocorreu durante o último debate entre os candidatos ao Governo do Estado, promovido pela TV Centro América antes do primeiro turno das eleições.

“Candidato, o senhor falta com a verdade em quase tudo que fala. A minha história é uma história limpa, de trabalho. Eu cheguei no Mato Grosso na boleia de um caminhão”, afirmou Pivetta ao responder Wellington.

A discussão teve início durante uma rodada do primeiro bloco, destinada a temas livres. Wellington voltou a questionar a concessão de benefícios fiscais pelo Estado e afirmou que, nos últimos sete anos, cerca de R$ 15 bilhões teriam sido concedidos em incentivos a 30 empresas.

O candidato do PL também voltou a citar uma empresa ligada à trajetória empresarial de Pivetta e atribuiu a ela aproximadamente R$ 500 milhões em benefícios fiscais. Wellington já havia apresentado acusação semelhante durante sabatina da TV Centro América, quando afirmou que renunciaria à candidatura caso os dados apresentados por ele fossem falsos. Na ocasião, disse basear os números em registros oficiais.

Durante o debate desta terça-feira, Wellington comparou o montante que atribuiu aos incentivos fiscais com investimentos que poderiam ser realizados pelo poder público.

“Daria para construir 150 mil casas. Daria para fazer 74 hospitais. Daria para fazer 8 mil quilômetros de estrada”, afirmou.

Wellington disse considerar os incentivos importantes, mas defendeu que os benefícios sejam direcionados a empresas que ampliem a industrialização e a geração de empregos dentro do Estado.

“Incentivo fiscal é importante, sim. Mas para quem quer gerar emprego aqui. A maioria dessas empresas estão exportando matéria-prima in natura. O meu governo, nós vamos dar incentivo para quem quiser vir para cá de verdade. Industrializar, gerar emprego para nossa população como um todo”, declarou.

Pivetta respondeu defendendo os programas de incentivo como instrumento para atrair investimentos, ampliar a industrialização e gerar emprego e renda em Mato Grosso.

“Na verdade, nós, o Mato Grosso, como todos os estados do Brasil, tem seus programas de incentivo fiscal com o objetivo de desenvolver a indústria. Para quem quer empreender, para quem quer assumir risco e assumir compromisso, gerar empregos, gerar renda, gerar desenvolvimento”, disse.

Na sequência, Pivetta levou o confronto para a trajetória política de Wellington, que exerce mandatos no Congresso Nacional desde 1991. O governador citou a BR-163 e acusou o adversário de ter exercido influência sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) durante diferentes governos federais.

“O senhor ficou no governo Lula 1, 2, Dilma 1, Dilma 2, Temer. O Bolsonaro chegou e expulsou o senhor do Dnit. Até então, o senhor mandava. E aí foi possível nós fazer a 163”, afirmou Pivetta.

O governador também citou a duplicação da rodovia e afirmou que a previsão é concluir a obra até o fim de 2027.

Na tréplica, Pivetta voltou a rebater as acusações sobre sua trajetória empresarial e comparou seu histórico político ao de Wellington.

“Eu fiz dessas oportunidades as oportunidades da minha vida. E fui prefeito em Lucas a partir de 97. Dediquei minha vida à vida pública, com doação. Diferente do senhor, que ficou 36 anos no Congresso”, declarou.

Pivetta também afirmou que o resultado da atuação parlamentar do adversário seria “altamente questionável” e fez críticas à participação recorrente de Wellington em disputas eleitorais.

“O senhor é acostumado a ir e voltar a Brasília. Todas as eleições o senhor participa. Já perdeu duas em Rondonópolis. Já perdeu uma para governo. O senhor gosta de participar de eleição. Eleição é a safra”, afirmou.

Após a fala de Pivetta, Wellington pediu direito de resposta. A solicitação foi aceita pela produção do debate, que concedeu um minuto ao candidato do PL.

Wellington rebateu as declarações, voltou a mencionar os incentivos fiscais e contestou a afirmação feita por Pivetta sobre o Dnit. O senador também retomou questionamentos relacionados ao registro da candidatura do governador.

A coligação de Wellington apresentou, em agosto, uma ação para tentar impedir o registro de Pivetta, alegando inelegibilidade relacionada a decisões do Tribunal de Contas da União sobre contas do período em que o republicano administrou Lucas do Rio Verde. O TRE-MT, entretanto, rejeitou o recurso por unanimidade, em julgamento realizado no dia 14 de setembro, e manteve o registro da candidatura.

“Eu sou ficha limpa. Sou vida limpa. E ele está impugnado”, afirmou Wellington durante o direito de resposta.

A declaração ocorreu apesar de o registro de Pivetta ter sido mantido pela Justiça Eleitoral. Wellington encerrou sua participação afirmando que considera a atividade política uma forma de serviço público.

“Ele disse que é um sacrifício fazer política. Para mim, não. É uma felicidade. São 36 anos de mandato dedicado ao sacerdócio. Porque política, para mim, é com leveza. É sacerdócio. É servir ao cidadão”, declarou.

O confronto encerrou o primeiro bloco do debate. Pivetta, Wellington e Natasha Slhessarenko (PSD) participam do último encontro promovido pela TV Centro América antes da votação de domingo (4).

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