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GUERRA PELA PRESIDÊNCIA

Lemes diz que vai “dormir em paz”; Jeferson nega ameaça e cita declaração “infeliz”

Renato Ferreira/Patrícia Neves

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O vereador licenciado Jeferson Siqueira (PSD) negou ter ameaçado ou pressionado seu suplente, Antônio Lemes (PSD), para apoiar Ilde Taques (Podemos) na disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá. Após mudar de posição em menos de 24 horas, Lemes afirmou que decidiu cumprir um compromisso anteriormente firmado com o titular da cadeira.
“Tenho a consciência tranquila e vou dormir em paz e dormir sem nenhum tipo de constrangimento com o vereador Jeferson”, declarou Lemes em vídeo divulgado hoje (30), ao anunciar apoio à chapa de Ilde.

Na noite de ontem (29), o suplente havia participado da reunião em que a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), anunciou apoio a Dilemário Alencar (União Brasil). Sua presença levou o nome dele a ser contabilizado entre os parlamentares favoráveis à candidatura.

Na manhã seguinte, porém, Lemes apareceu com o grupo de Ilde e justificou a mudança pelo entendimento que já mantinha com Jeferson.

“Hoje estou aqui me posicionando favorável à chapa de Ilde Taques. Isso é compromisso que eu já tinha feito com Jeferson”, afirmou.

Segundo Jeferson, a parceria entre os dois existe desde 2019. O vereador licenciado disse que sempre deixou claro seu posicionamento na disputa e que o apoio a Ilde havia sido discutido previamente com o suplente.

“Tínhamos, sim, uma conversa já apalavrada, alinhada, inclusive com o próprio Ilde Taques. E tudo que foi feito, a gente fez de forma planejada, conversando e dialogando”, declarou.

O titular da cadeira afirmou que foi procurado por Lemes na manhã de hoje e que os dois se encontraram para um café. Conforme seu relato, o suplente havia conversado com a esposa e os filhos antes de decidir acompanhar o grupo.

“Ele disse que conversou com a sua família, com a sua esposa, com os seus filhos, e falou que não seria justo, nessa altura do campeonato, eu, que oportunizei para ele estar aqui, ele não votar de acordo com aquilo que era o nosso entendimento”, disse.

Questionado sobre possíveis ameaças e pressões, Jeferson negou que a mudança tenha ocorrido por intimidação. “Foi por livre e espontânea vontade da parte do vereador Lemes, a quem eu tenho muito respeito. Agora, se tem alguma outra pessoa insinuando que houve algum tipo de ameaça ou que houve algum tipo de pressão além da conversa, do diálogo, eu posso esclarecer que não tem nada disso”, afirmou.

Jeferson também classificou como “infeliz” a declaração anterior do suplente sobre a pressão que vinha sofrendo. Na avaliação dele, Lemes estava sob pressão do grupo adversário e recebeu propostas de colegas da outra chapa. O vereador não detalhou quais seriam essas propostas.

“Me assustei um pouco com a fala do Lemes, mas entendo perfeitamente. Ele também estava sob pressão do outro lado”, declarou.

“Graças a Deus, ele conversou comigo, tomamos café hoje pela manhã e está tudo certo. Vamos cumprir o combinado e eu vou deixar essa fala dele, uma fala infeliz, mas que, no momento oportuno, ele com certeza vai se retratar também”, acrescentou.

Ao relatar o episódio anterior, Lemes havia afirmado que se sentiu pressionado por Jeferson, mas negou expressamente ter sido ameaçado.

“De forma alguma. O Jeferson não ameaçou”, disse naquela ocasião. Na sequência, classificou a abordagem como pressão e afirmou que considerava necessário resguardar sua integridade física.

Jeferson ainda rebateu as insinuações do prefeito Abilio Brunini (PL), que fez um gesto de arma com os dedos, apontando para a própria cabeça, ao comentar a mudança de posicionamento do suplente.

“Estou à disposição de todos que quiserem conversar comigo, inclusive do prefeito Abilio, que adora fazer alusões ao nome dos vereadores e insinuar muita coisa”, afirmou.

Sobre a possibilidade de uma composição entre os grupos de Ilde e Dilemário, Jeferson descartou um acordo e defendeu a independência do Legislativo.

“Dessa vez não tem composição”, declarou. “Os vereadores entenderam que deve haver uma diferença, sim, um respeito entre os poderes, e que essa Casa tem que voltar a ser independente.”

O parlamentar também acusou Abilio de ter utilizado a estrutura da Prefeitura, com distribuição de secretarias e cargos, na primeira eleição da Mesa Diretora. Na avaliação de Jeferson, o prefeito voltou a participar diretamente das articulações atuais, embora negue interferência.

“Eu acho que o prefeito Abilio errou um pouco na condução, até porque ele está envolvido na eleição da Mesa desde o início, embora negue isso na imprensa, mas a gente sabe disso”, disse.

A eleição está marcada para 6 de outubro e definirá o presidente e os demais integrantes da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028.

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