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Mauro encerra campanha confiante em vitória, critica Congresso e STF e promete “passar o Brasil a limpo”
Muvuca Popular / do Local Renato Ferreira
O ex-governador Mauro Mendes (União) chegou ao dia da eleição confiante na vitória ao Senado e com um discurso de forte cobrança sobre Brasília. Após uma campanha ancorada principalmente nas entregas de sua gestão em Mato Grosso, ele afirmou neste domingo (4) que, se eleito, pretende abrir um novo ciclo político, desta vez no Legislativo, com foco na revisão de leis e até de dispositivos da Constituição.
Mauro, que apareceu na dianteira na maior parte das pesquisas divulgadas na reta final, evitou tratar os levantamentos como garantia de vitória. Segundo ele, erros registrados em eleições anteriores reduziram a credibilidade das pesquisas.
“Eu nunca fui uma pessoa muito ligada às pesquisas. Respeito. As pesquisas, obviamente, têm um valor técnico-científico quando são feitas corretamente e, nos últimos anos, infelizmente, elas foram perdendo a confiança porque tiveram erros muito além da margem de erro”, afirmou.
O ex-governador disse ter conduzido a campanha independentemente dos números e apostado no reconhecimento dos eleitores ao trabalho realizado durante sua passagem pelo Palácio Paiaguás.
Mauro afirmou que utilizou as entregas do governo como credencial para sustentar que poderá enfrentar problemas considerados difíceis no Congresso Nacional.
“Fizemos coisas que pareciam impossíveis de serem feitas em Mato Grosso. O Hospital Central era uma delas. […] A partir dessa referência, nós dizemos: poderemos fazer em Brasília, sim, coisas que lá no Congresso Nacional parecem impossíveis de serem feitas.”
Ao avaliar a campanha, o ex-governador disse encerrar a disputa com a sensação de “dever cumprido” e afirmou que uma eventual eleição representará uma mudança significativa em sua trajetória, marcada até agora pela atuação no Executivo.
“Se eu for eleito, abriremos um novo ciclo, que é trabalhar numa seara que, para mim, vai ser uma novidade, que é trabalhar no Legislativo. Sempre fui um homem de Executivo focado em resultado. Lá no Congresso Nacional eu estarei focado em resultado”, declarou.
Na sequência, endureceu as críticas à atuação da classe política.
“Eu odeio muita conversa fiada, muito blá-blá-blá e nada de resultado. E é isso que a maioria dos políticos brasileiros são especialistas em fazer: muito blá-blá-blá, muita conversa fiada. Quando você peneira a atuação, você vê muito pouco resultado.”
“Brasil vai quebrar”
Mauro também projetou uma atuação voltada a mudanças estruturais em Brasília. Ele defendeu uma “revisão profunda” dos marcos legais brasileiros e chegou a sustentar a necessidade de uma nova Constituinte.
“Nós precisamos, sim, fazer uma revisão profunda, bastante profunda, em muitos marcos legais neste país. O Brasil não aguenta mais. Nós estamos à deriva. A todo momento é um show de horrores que vem de Brasília, do Congresso Nacional, do Supremo, decisões contraditórias que deixam o país chocado”, criticou.
Segundo ele, o cenário político e institucional estaria provocando perda de confiança da população e dos investidores.
“Chegou a hora de o Brasil fazer uma revisão constitucional e passar a limpo algumas histórias que não estão cheirando bem neste país”, afirmou.
Questionado diretamente, Mauro confirmou que defende uma nova Constituinte e fez uma previsão dura sobre a situação fiscal brasileira.
“Eu defendo uma nova Constituinte porque algumas mudanças passam necessariamente por uma Constituinte, senão o Brasil vai quebrar. Anotem isso aí. O Brasil vai quebrar igual quebrou a Argentina se nós não formos capazes de enxergar o óbvio”, disse.
O ex-governador também voltou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), embora tenha afirmado não possuir elementos para sustentar que exista interferência no processo eleitoral.
“Eu só falo aquilo que eu tenho convicção ou absoluta certeza. Existe um momento muito ruim das relações institucionais. O próprio Supremo vive uma crise sem precedentes em toda a sua história”, afirmou.
Para Mauro, o STF deve explicações à sociedade e o Senado precisa exercer suas prerrogativas institucionais. “É vergonhoso o que está acontecendo lá no Supremo Tribunal Federal”, disparou.
Debates e reta final
Mauro também rebateu críticas por ter faltado a debates durante a campanha. Segundo ele, sua prioridade era dialogar com o eleitor, e não confrontar adversários.
“Eu tenho que conquistar o voto do mato-grossense, não dos candidatos. Não sou obrigado a debater com os candidatos. Mato Grosso me conhece, 93% da população sabe quem é Mauro Mendes, acompanhou minha atuação. Ou gosta ou não gosta”, declarou.
Sobre a eleição presidencial, avaliou como pouco provável uma definição ainda no primeiro turno e projetou uma disputa entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Ao encerrar o balanço, Mauro demonstrou confiança no resultado das urnas. “O meu feeling diz que sim. Eu sempre falei isso: nós iríamos ganhar essas eleições. Eu nunca tive dúvida disso”, afirmou.
Ele também comentou o desempenho eleitoral da ex-primeira-dama Virginia Mendes, dizendo ter percebido um crescimento de sua candidatura nas últimas semanas. Já sobre Margareth Buzetti, que declarou ter ficado chateada com sua presença em outros palanques, confirmou que conversou com a senadora por WhatsApp, mas evitou revelar o teor da conversa.
“Foi uma conversa entre eu e ela. Não posso revelar publicamente uma conversa que você tem no particular”, encerrou.



