Apuração em Mato GrossoCarregando dados do TSE…Atualiza em 30s
COBROU MAIOR FISCALIZAÇÃO
“Pesquisas diziam uma coisa e urnas mostraram outra”, critica advogado eleitoral
Nickolly Vilela e Renato Ferreira
O advogado eleitoral José Rosa criticou a atuação das pesquisas eleitorais durante a campanha deste ano e defendeu uma fiscalização mais rigorosa por parte da Justiça Eleitoral. Ao avaliar o processo eleitoral neste domingo (4), ele afirmou que os resultados apresentados pelas urnas não estariam correspondendo aos cenários apontados por levantamentos divulgados durante a disputa.
“Nós estamos vendo agora o resultado que está saindo aqui das urnas e elas não estão condizentes com aquilo que diziam as pesquisas. As pesquisas diziam uma coisa e o que está saindo aqui é outra coisa diferente. Por isso, acho que a Justiça Eleitoral precisa aprimorar e melhorar para conseguir fiscalizar essas pesquisas”, afirmou.
Para o advogado, os levantamentos devem ter caráter informativo e não servir como instrumento para influenciar o comportamento do eleitor durante a campanha. Segundo ele, a posição de um candidato nas pesquisas pode interferir na escolha de parte da população.
José Rosa argumentou que ainda existe entre os eleitores uma tendência de optar por candidatos que aparecem na liderança dos levantamentos, deixando propostas e projetos políticos em segundo plano.
“A pesquisa eleitoral sempre foi usada como um fator para insuflar a população a votar naquele candidato porque ele está na frente. A população ainda tem muito isso de ‘vou votar nesse porque ele vai ganhar, o outro vai perder’. Isso faz com que as pessoas definam o candidato não pela sua proposta, mas por aquilo que acham que vai acontecer porque a pesquisa está dizendo”, declarou.
Apesar das críticas aos levantamentos, José Rosa avaliou que a Justiça Eleitoral apresentou avanços em outras frentes durante a campanha, especialmente no combate às fake news e na retirada de conteúdos considerados irregulares das redes sociais.
Segundo ele, diferentemente de eleições anteriores, houve maior agilidade para responder às denúncias envolvendo publicações falsas ou destinadas a atingir a imagem de candidatos.
“O grande problema das eleições deste ano, como das anteriores, são as fake news. São publicações feitas para denegrir a imagem dos candidatos, às vezes mentirosas, e a Justiça não conseguia resolver em tempo hábil. Parece que neste ano ela foi mais ágil, mais rápida e conseguiu resolver, de certa forma, essa questão”, disse.
O advogado também destacou o trabalho realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) junto às plataformas digitais para acelerar a retirada de conteúdos irregulares. Na avaliação dele, a atuação contribuiu para melhorar o enfrentamento à desinformação no país e em Mato Grosso.
José Rosa ainda comentou as operações e apreensões realizadas na reta final da campanha. Para ele, a compra de votos, inclusive por meio de pagamentos em dinheiro, continua sendo um dos problemas enfrentados pelo sistema eleitoral brasileiro.
“Um dos grandes problemas que nós temos ainda no Brasil é a compra de voto, o pagamento com dinheiro em espécie. São coisas que ainda têm resquícios do passado e continuam sendo feitas”, afirmou.
Segundo o advogado, denúncias e informações encaminhadas aos órgãos responsáveis têm permitido ações de fiscalização, mas ainda há espaço para ampliar esse trabalho.
“A Polícia Federal, através da Justiça Eleitoral, tem conseguido chegar e fazer algumas apreensões. Não muitas, mas algumas. Acho que pode melhorar mais para fazer com que a eleição seja realmente verdadeira, seja aquilo que a população quer e espera do seu candidato”, concluiu.



