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UFMT abre apuração após estudantes de economia serem denunciados por racismo e misoginia

Muvuca Popular

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A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) informou que abriu procedimento para apurar a denúncia envolvendo estudantes do curso de Economia após manifestações de cunho racista e misógino em grupos de WhatsApp. Segundo a instituição, o caso foi encaminhado nesta segunda-feira (5) pela Ouvidoria à unidade responsável, que já adota as providências administrativas cabíveis.

Dois estudantes do curso de Economia foram denunciados após uma discussão política terminar em ofensas racistas e machistas em grupos ligados à comunidade acadêmica. O caso também foi registrado na Polícia Civil e segue sob investigação. Em uma das mensagens atribuídas a um dos envolvidos, ele afirma: “por causa de você, os preto lá tá achando que tem direito agora”.

A confusão começou no sábado (3), em um grupo destinado a discussões acadêmicas e econômicas e administrado pelo Centro Acadêmico de Ciências Econômicas. Durante uma conversa sobre política, um estudante teria enviado uma figurinha de conteúdo racista e acabou retirado do grupo. Na sequência, outro aluno teria direcionado uma ofensa racista a um colega e também foi excluído.

Após os episódios, os administradores restringiram o grupo “Informes Economia”, permitindo o envio de mensagens apenas pelos responsáveis. A discussão, porém, teria continuado em outro grupo administrado pela Associação Atlética Acadêmica Monopólio.

De acordo com relatos apresentados às autoridades, um dos estudantes teria feito ameaças a um terceiro colega, a quem responsabilizava pelas punições aplicadas aos demais participantes. Áudios e figurinhas com conteúdo considerado racista e misógino também foram anexados à denúncia.

Entre os materiais encaminhados para investigação estaria uma imagem manipulada de um exame de ultrassom em que um feto aparece representado como um macaco. Gravações com comentários considerados ofensivos contra negros e mulheres também deverão ser analisadas durante a investigação.

Em nota, a UFMT informou que o procedimento administrativo tramita sob sigilo e, por isso, não pode divulgar nomes, número de envolvidos ou detalhes sobre o conteúdo das manifestações.

A universidade explicou ainda que a apuração seguirá as regras internas da instituição e poderá incluir a constituição de uma comissão para analisar os fatos e definir eventuais medidas administrativas, garantindo aos envolvidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.

“A UFMT reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade, à dignidade das pessoas e com a manutenção de um ambiente universitário livre de discriminação e violência”, afirmou a instituição.

A Associação Atlética Acadêmica Monopólio também repudiou as manifestações registradas entre a noite de sábado (3) e a madrugada de domingo (4). A entidade afirmou que racismo e misoginia não representam seus valores e defendeu um ambiente acadêmico baseado no respeito, segurança e inclusão.

O Centro Acadêmico de Ciências Econômicas também divulgou nota de repúdio, classificando as manifestações como formas de violência e discriminação. A entidade defendeu a apuração dos fatos e a eventual responsabilização dos envolvidos conforme as normas institucionais.

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