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1º Campeonato Nativo Interno de arco e flecha das mulheres BAKAIRIS. Um marco de revitalização, resgate e empoderamento feminino!

 

O arco e flecha vem dos nativos, porém o uso da arma, que também serve para o esporte, não é comum em todas as etnias indígenas brasileiras, principalmente entre as mulheres, pois quem cuida mais da caça e proteção são os homens.

Neste sábado (11/12), a etnia indígena Bakairis, localizada no município de Paranatinga (MT), promoveu o 1º Campeonato Nativo Interno de Arco e Flecha das Mulheres Bakairis.

De acordo com o cacique Genivaldo Geronimo Poiure, o objetivo do campeonato é fortalecer a cultura. “As mulheres Bakairis estão praticando a flechada, e está sendo muito importante esta valorização cultural. Este é o primeiro, e a gente vai dar continuidade. Agradeço as autoridades que vieram nos prestigiar”, ressaltou o cacique Genivaldo.

“Hoje, dia 11 de dezembro de 2021, já na reta final, aqui na aldeia Pakuera, terra indígena Bakairi, está acontecendo pela primeira vez, o campeonato de arco e fecha nativo para as mulheres. Nós temos 10 aldeias aqui. Podemos dizer que a aldeia Pakuera foi onde tudo começou, é como se ela fosse a Mãe. As guerreiras Kura Bakairis ainda praticam o arco e flecha nativo, então vocês podem ver que nós mantemos nossa cultura viva!”, contou o pajé Arlindo Rondon.

Estavam presentes no evento o vereador Édson do Sindicato, representando o legislativo de Paranatinga (MT) e o Secretário Adjunto de Agricultura Familiar (SEAF), Clóvis Cardoso, representando o Governo do Estado de MT.

“Os indígenas hoje fazem parte da Agricultura Familiar, por força de lei federal. Não podemos mais ver a Agricultura Familiar apenas sob aspecto da produção, mas também sob o aspecto que totalizam a família no campo. Acho que este campeonato, de arco e flecha das mulheres indígenas, Kura Bakairis, deva ser um dos primeiros que ocorre no Brasil inteiro.

Os Bakairis são considerados os melhores arqueiros dentre as etnias mato-grossenses. E a participação feminina neste processo é muito interessante e importante, devido ao empoderamento feminino, para que elas possam participar mais efetivamente da vida social, educacional e política das aldeias. Eu nunca vi nada parecido a isso que está acontecendo aqui!”, destacou o secretário adjunto da SEAF, Clóvis Cardoso.

Para o vereador Édson do Sindicato, o evento é sem dúvidas nenhuma inédito! “É muito importante o que está acontecendo na etnia dos Bakairis. Eles estão valorizando a cultura e não deixando que ela se perca com o passar do tempo. Tanto a Câmara, quanto a Prefeitura de Paranatinga (MT) está aqui para apoiar a comunidade indígena”, pontuou Édson.

Segundo o professor da aldeia Pakuera, Magno Amaldo, a ideia do torneio é resgate, revitalização e valorização da cultura indígena. “O arco e flecha é uma atividade praticada mais por homens, mas que também as mulheres têm a sua participação e o seu valor, neste resgate da cultura indígena. Neste torneio o alvo da flechada foi no papelão. Em breve, dia 02 de janeiro de 2022 estamos programando a segunda competição”, revela o professor.

Por trás da destreza dos movimentos: determinação, coragem, força, ousadia, superação e o empoderamento feminino. Sem dúvidas nenhuma, estes foram os principais destaques das mulheres amazônicas Kura Bakairis.

Tudo isso vai além da disputa pela premiação, uma vez que esta prática era realizada apenas pelos homens da tribo. É um marco de um novo tempo.

“Estamos muito felizes com este campeonato e com a organização do professor Arlindo e dos demais organizadores. Ficamos muito gratas com o desenvolvimento e a prática das mulheres Kura, porque nós não temos muito essa possibilidade de ter isso no nosso dia a dia, e com este movimento, eu acredito que é um incentivo para nós mulheres Kura, e para as demais gerações que estão vindo. É a primeira vez que eu estou vendo a maior participação delas”, disse a indígena Kaya Agari.

A vencedora do campeonato foi Ednalva Rondon, que se surpreendeu com o seu desempenho. “Eu não estava tão confiante, mas agora eu fiquei muito feliz, quando escutei meu nome em primeiro lugar. Quero agradecer meu tio Arlindo Rondon, pelo apoio e incentivo. E assim como eu, nós todas mulheres, nós conseguimos! Nós quebramos um tabu, que é só homens, né. Eu estou muito feliz! ”, finaliza Ednalva.

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