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Nova lei na China torna cultos e reuniões de igrejas online ilegais

Da Redação

Uma nova lei que proíbe a realização de cultos e reuniões onlines de religiões não autorizadas pelo Partido Comunista Chinês (PCC) entrou em vigor esta semana na China. A nova medida prevê que o acesso legal à internet para fins religiosos só seja concedido aos chineses que participarem de atividades realizadas pelas cinco religiões autorizadas: budismo chinês, taoísmo, islamismo, catolicismo e protestantismo – a Igreja Católica Romana e outras três religiões protestantes estão incluídas na lista de permissões.

Mesmo no caso das religiões autorizadas, o governo chinês irá monitorar os conteúdos publicados e as atividades planejadas. Elas são supervisionadas por organizações oficiais, como o Movimento Patriótico das Três Autoridades Protestante ou a Associação Budista da China, que por sua vez são supervisionadas pelo poderoso Departamento da Frente Unida de Trabalho do Partido Comunista. 

Para a organização cristã Portas Abertas, a medida serve para controlar os cristãos no país asiático. “O Partido Comunista Chinês há muito vê a religião como uma ameaça em potencial. Quando percebeu que não podia acabar com os cristãos no país, tentou contê-los. Eles temem que os cristãos sejam leais a outra instituição ou tenham outra devoção que não seja ao Partido” afirmou Marco Cruz , secretário-geral do Portas Abertas Brasil.

De acordo com um representante da organização, as reuniões online não contam mais com um grande número de pessoas e, por conta disso, foi preciso criar pequenos encontros virtuais, com alguns membros das igrejas participando de cada vez. Segundo o integrante do Portas Abertas, com essa medida, poderá reduzir ainda mais a participação dos fiéis.

“Continuaremos nossas reuniões online, onde houver espaço. Vamos dar um jeito” disse a fonte ouvida, de forma otimista.

As instituições religiosas que descumprirem a nova lei podem ser punidas por meio de advertências administrativas. Segundo o governo chinês, as atividades religiosas devem ser realizadas no “âmbito estipulado por leis e regulamentos e não devem prejudicar a saúde dos cidadãos, ofender a ordem pública e a boa moral, interferir nos assuntos educacionais, judiciais e administrativos, bem como na vida social”.

Perseguição cristã

A organização Portas Abertas estima que o número de cristãos na China seja de 96,7 milhões. Como muitas igrejas cristãs são mantidas de forma anônima, a quantidade de fiéis pode ser ainda maior. Além disso, de acordo com o The Economist, existem 22 milhões de protestantes chineses que pertencem a instituições religiosas “secretas”, que não têm controle estatal.

Apesar da forte representatividade cristã no país, a China é uma das nações que mais persegue cristãos. Em muitas regiões, o governo chinês tem obrigado os professores a assinarem um compromisso de ateísmo. Na Escola Distrital de Longwan, por exemplo, os oficiais do governo entregaram aos educadores um documento que deveria ser assinado por eles. A publicação dizia “promessa de não acreditar em nenhuma fé”.

O governo do país asiático também tem interferido na distribuição de materiais religiosos. Os representantes das instituições que descumprirem podem pagar multas, serem presos ou obrigados a fecharem o negócio.

Uma das medidas mais extremas do PCC é a destruição de símbolos religiosos. Só na primeira metade de 2020, mais de 900 cruzes foram removidas de igrejas estatais do país. Apesar da perseguição e censura, a organização Portas Abertas estima que até 2030 a população cristã na China seja de 300 milhões. 

 

Com AFP

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