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A estratégia de Maria Corina ao ‘agradecer’ a Lula, o hipócrita

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(Felipe Moura Brasil, publicado no portal O Antagonista em 29 de março de 2024)

 

Impedida pela ditadura de Nicolás Maduro de concorrer na eleição presidencial da Venezuela, a opositora Maria Corina Machado agradeceu até a Lula nesta sexta-feira, 29, pela posição manifestada “nas últimas horas” contra o impedimento da candidatura não dela, já que o petista compactuou com esse golpe anterior do ditador aliado, mas da sua substituta, a professora Corina Yoris, cujo registro virtual foi sabotado pelo regime.

“Agradeço aos presidentes [da França] Emmanuel Macron, [do Brasil] Lula e [da Colômbia] Gustavo Petro pelos posicionamentos assumidos nas últimas horas que reafirmam que nossa luta é justa e democrática.

À medida que vemos como aumenta a preocupação internacional, apelo aos líderes democráticos do mundo para que se unam aos esforços de presidentes e governos em exigir que o regime de Maduro permita o registro de Corina Yoris como candidata nas próximas eleições presidenciais.

Tornou-se claro que não existem razões políticas ou jurídicas que impeçam Corina Yoris de ser candidata e que a sua exclusão, tal como a minha, nega a possibilidade de eleições livres e justas.

Pedimos a todos os líderes democráticos do mundo que apoiem a plena implementação do Acordo de Barbados, assinado há apenas alguns meses, para alcançar eleições livres e justas na Venezuela”, escreveu Maria Corina no X, antigo Twitter.

A hipocrisia de Lula

Sem citar a principal opositora pelo nome, Lula havia dito na quinta-feira, 28, que considerou “boa” e “um passo importante” sua decisão de indicar uma substituta, mas que ficou “surpreso” com o impedimento desta última pelo regime que ajudou a erguer, com apoios, marqueteiros, dinheiro do BNDES e Odebrecht.

“É grave que a candidata não possa ter sido registrada. Ela não foi proibida pela Justiça. Me parece até que ela se dirigiu ao lugar e tentou usar o computador no local e não conseguiu entrar. Então foi uma coisa que causou prejuízo a uma candidata.”

Ao contrário de Maria Corina, que iguala seu impedimento ao de Corina Yoris, afirmando que “sua exclusão, tal como a minha, nega a possibilidade de eleições livres e justas”, o petista legitima o impedimento da primeira, afirmando que a segunda “não foi proibida pela Justiça”.

Lula endossa a farsa eleitoral na Venezuela. Só pede que a ditadura amiga disfarce um pouco melhor.

Pressão contra o ditador Maduro

Já Maria Corina, ciente de que não conseguirá reverter no Judiciário instrumentalizado por Maduro a decisão contra si, busca somar na pressão contra o ditador a mera ressalva de seu próprio cúmplice contra um golpe virtual tão descarado que nem ele conseguiria defender sem uma nova perda de popularidade no Brasil.

Para garantir uma última chance, mesmo que reduzida, à volta da democracia, a estratégia de Maria Corina é usar até o jogo de cena de Lula, reafirmando sua luta “justa e democrática” que ele sempre desprezou.

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