CONTRA-ATAQUE
Daniel rebate Felipe Correa e defende CPI: “Se ele não tem capacidade, eu tenho”
Kamila Araújo e Renato Ferreira
“Se ele não tem capacidade, que fale por ele. Eu tenho.” Foi com essa declaração que o vereador por Cuiabá Daniel Monteiro (Republicanos) reagiu às falas do novo colega de Parlamento, Felipe Correa (PL), que tomou posse na manhã desta quinta-feira (12) na vaga do vereador afastado Chico 2000 (PL).
Ao assumir o mandato, Felipe se posicionou contra a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta por Daniel para apurar a conduta do ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, acusado por uma ex-servidora de assédio sexual.
Questionado sobre o tema, o parlamentar liberal afirmou que a investigação deve ser conduzida pelas forças de segurança e declarou que a Câmara Municipal não possui estrutura técnica para apurar denúncias dessa natureza. Segundo ele, os vereadores não teriam capacidade para conduzir esse tipo de procedimento investigativo.
A declaração gerou reação imediata de Daniel Monteiro, que defendeu a prerrogativa constitucional do Legislativo de fiscalizar atos da administração pública. Para o republicano, a Câmara não apenas pode, como deve instaurar mecanismos próprios de apuração quando surgem denúncias envolvendo agentes do Executivo.
Para impedir que a CPI avançasse, a base governista articulou a instalação de quatro novas comissões parlamentares, atingindo o limite máximo de cinco CPIs simultâneas permitido pelo Regimento Interno da Casa, considerando que já havia uma em andamento.
Com o teto regimental alcançado, a CPI proposta por Daniel ficou inviabilizada. Como alternativa, foi criada uma comissão especial para acompanhar as investigações conduzidas pela Polícia Civil sobre o caso envolvendo o ex-secretário.
A movimentação escancarou o embate político em torno do episódio e dividiu o Parlamento entre os que defendem a atuação investigativa da Câmara e os que entendem que a apuração deve se restringir à esfera policial.



