ALTO CLERO
Denúncia enviada ao Vaticano cita bispo e relata supostos abusos e irregularidades em diocese de MT
Nickolly Vilela
Um ex-seminarista decidiu levar ao mais alto nível da Igreja Católica uma denúncia que envolve a Diocese de Barra do Garças, em Mato Grosso. Em um documento detalhado encaminhado à Nunciatura Apostólica no Brasil, ele relata supostos episódios de abuso espiritual, assédio moral e possíveis irregularidades administrativas, citando nominalmente o bispo Dom Paulo Renato Fernandes Gonçalves de Campos como responsável pelas condutas descritas.
O relato parte de uma trajetória que, segundo o denunciante, começou ainda na juventude, com forte envolvimento em atividades religiosas e participação ativa em pastorais. Em 2023, ele afirma ter procurado a diocese com o objetivo de retomar sua formação vocacional e ingressar no seminário. A expectativa, segundo descreve, era dar continuidade a um projeto de vida ligado ao sacerdócio.
No entanto, de acordo com o documento, o ambiente encontrado ao longo desse processo teria se distanciado daquilo que ele esperava. O ex-seminarista relata que, com o avanço da convivência, a relação com o bispo teria ultrapassado os limites da orientação espiritual e passado a envolver cobranças frequentes, pressão psicológica e situações que classifica como constrangedoras.
Entre os pontos descritos, ele afirma que houve interferência em decisões pessoais, imposições e episódios que teriam provocado desgaste emocional. O documento sustenta que o ambiente interno era marcado por relações de autoridade que dificultavam questionamentos e criavam, segundo o relato, uma dinâmica de dependência.
A denúncia também menciona o que o autor classifica como abuso espiritual — termo utilizado para definir situações em que a autoridade religiosa é exercida de forma a influenciar ou controlar a vida dos fiéis. Esse tipo de conduta, embora nem sempre visível, tem sido objeto de debate crescente dentro e fora da Igreja Católica, especialmente em casos envolvendo formação religiosa.
Além das questões pessoais, o texto encaminhado à Nunciatura levanta suspeitas sobre a condução administrativa da diocese. O denunciante aponta possíveis práticas que, na avaliação dele, não estariam em conformidade com normas canônicas, embora os detalhes dessas alegações dependam de apuração pelas autoridades competentes.
O documento solicita a investigação dos fatos e eventual responsabilização, caso as irregularidades sejam confirmadas. A Nunciatura Apostólica, responsável por representar o Vaticano no Brasil, é uma das instâncias encarregadas de receber esse tipo de comunicação e encaminhar os procedimentos internos da Igreja.
Procurada, a Diocese de Barra do Garças informou, por meio de nota, que tem conhecimento da denúncia e que irá tratar o caso conforme os protocolos institucionais. A diocese afirmou ainda que não antecipa conclusões antes da apuração e reforçou o compromisso com a condução adequada dos procedimentos.
Até o momento, não há confirmação pública sobre a abertura formal de investigação por parte das autoridades eclesiásticas, nem sobre eventuais medidas adotadas em relação ao caso.


