SITUAÇÃO DESESPERADORA
“Seria um caos”, diz Max Russi sobre risco de despejo de 600 famílias
Muvuca Popular
A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou que a Justiça de Mato Grosso preste esclarecimentos sobre o processo envolvendo a possível retirada de centenas de famílias em Cuiabá, reacendeu o debate sobre o caso dos residenciais Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II.
Nesta manhã, em meio à repercussão, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, detalhou a atuação do Parlamento para evitar o despejo imediato e defendeu uma solução com foco social.
“Você imagine aí 600 famílias do dia pra noite sem casas. Isso aí ia ser um caos. Eles iam ter que ir para algum lugar, iam para onde?”, afirmou o deputado.
Segundo Russi, a mobilização começou após relatos de que a retirada poderia ocorrer de forma abrupta. “Teve um infarto lá, teve uma pessoa que passou mal e aquilo lá tudo gerando uma agonia, mulheres, idosos, crianças”, disse.
O parlamentar explicou que a Assembleia, por meio da Procuradoria, atuou junto ao Tribunal de Justiça para redirecionar o caso a um setor especializado em conflitos fundiários, permitindo a análise social das famílias. “A procuradoria impetrou junto à Corregedoria do Tribunal de Justiça o pedido para que fosse para o setor de regularização, para ter o acompanhamento da assistência social, para ter a conversa com as famílias”, destacou.
A medida resultou em uma decisão que suspende, por ora, a desocupação imediata e abre espaço para mediação. Ainda assim, Russi pondera que o problema não está totalmente resolvido. “Não é algo definitivo. O problema ainda continua, mas o problema agora tem solução”, afirmou.
Ele também criticou os valores cobrados após o leilão dos imóveis. “Ali foi comprado por cerca de R$16 mil e estavam pedindo R$160, R$ 180 mil. É um valor abusivo, muito alto”, disse.
Para o deputado, a saída passa pela conciliação entre as partes, com participação ativa do Judiciário e sensibilidade da empresa proprietária. “Vai ser feito com cautela, com discussão, com conciliação, trabalhando principalmente a questão social das famílias”, declarou.
Russi ainda reforçou que os moradores não são invasores. “Ali as pessoas compraram de boa fé, a empresa faliu e depois de quase 30 anos vem uma decisão judicial tirando aquelas famílias”, pontuou.


