PROJETO DE LEI
Russi admite reduzir emendas para eventos, mas condiciona medida a política cultural estruturada
Muvuca Popular
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Max Russi (Podemos), afirmou que é possível reduzir, ou até extinguir, a destinação de emendas parlamentares para eventos culturais e festivos, desde que o governo estadual implemente uma política sólida e estruturada de valorização da cultura e do turismo.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre o projeto que deve ser enviado pelo governador Otaviano Pivetta à Assembleia Legislativa, prevendo a limitação do uso de recursos públicos para festas e shows. A proposta estabelece que apenas 10% da parcela das emendas não destinada à saúde poderá ser aplicada em eventos.
Apesar de reconhecer a necessidade de maior controle nos gastos, Russi defendeu que a cultura não pode ser negligenciada. “A cultura faz parte da nossa vida, do nosso dia a dia. Fortalecer a cultura do nosso estado e valorizar a nossa história é obrigação nossa enquanto político”, afirmou.
Segundo ele, a eventual redução das emendas deve estar condicionada à atuação direta do governo. “Pode diminuir o valor da emenda ou até acabar com as emendas, desde que o governo tenha um programa forte, claro e objetivo de fortalecimento das nossas culturas, dos grandes eventos e do turismo”, declarou.
O parlamentar destacou que eventos culturais vão além do entretenimento e têm impacto direto na economia local. Ele citou como exemplo o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, que movimenta o turismo e gera renda no município. “Você não está fazendo apenas um evento, está movimentando toda a economia”, disse.
Russi também mencionou iniciativas tradicionais como o Festival Internacional de Pesca de Cáceres e a Cavalhada de Poconé, ressaltando o papel desses eventos na promoção cultural e na divulgação do estado, incluindo o Pantanal.
Para o presidente da Assembleia, o turismo deve ser tratado como vetor estratégico de desenvolvimento econômico em Mato Grosso. “É uma fonte geradora de emprego e riqueza, uma indústria limpa que precisa ser fortalecida”, pontuou.
Ele reforçou que, no cenário ideal, o financiamento de eventos culturais deveria estar previsto diretamente no orçamento do Executivo. “A emenda parlamentar serve para complementar aquilo que o governo não alcança. Se houver uma política estruturada, não há necessidade de emendas para essa finalidade”, afirmou.
O projeto do governo estadual prevê que 50% das emendas parlamentares sejam obrigatoriamente destinadas à saúde, enquanto o restante terá regras mais restritivas de aplicação.
A proposta ainda deve começar a tramitar nos próximos dias e integra um esforço do Executivo para priorizar áreas consideradas essenciais, sem eliminar completamente o apoio a manifestações culturais.


