COM DETERGENTE JUNTO
Vereador cria “teoria” após suspensão da marca Ipê e tenta ‘vender’ polêmica
A sessão desta terça-feira (12) na Câmara de Cuiabá ganhou contornos inusitados após o vereador Rafael Ranalli surgir segurando um detergente da marca Ipê para sustentar uma narrativa de perseguição política envolvendo a suspensão de produtos da empresa.
Em meio a discursos e associações sem apresentação de provas concretas, o parlamentar tentou relacionar o caso a empresários ligados ao grupo J&F, dos irmãos Batista, além de citar empresas do setor de energia, produção de ovos e grandes varejistas para insinuar supostos favorecimentos políticos do governo federal.
“São muitas coincidências”, repetiu o vereador ao longo da entrevista, enquanto usava o detergente como símbolo do discurso.
A cena ocorreu dias após viralizarem vídeos nas redes sociais de pessoas ingerindo detergente da marca em forma de protesto contra medidas sanitárias envolvendo os produtos. Apesar de afirmar que não concorda com esse tipo de atitude, Ranalli admitiu que decidiu usar o produto para “chamar atenção” ao tema.
“Cada um chama atenção do jeito que acha melhor”, declarou.
Ao ser questionado sobre a falta de comprovação das acusações e se o discurso não se aproximava de teoria da conspiração, o vereador reagiu incomodado e passou a confrontar jornalistas durante a entrevista.
“É engraçada essa pergunta vindo de jornalista, que deveria questionar tudo”, respondeu.
A declaração repercutiu nos bastidores políticos e nas redes sociais, onde internautas ironizaram o episódio e criticaram o uso da tribuna e da exposição pública para levantar suspeitas sem provas.
Enquanto isso, temas considerados prioritários para a população cuiabana, como saúde, mobilidade urbana e segurança, acabaram dividindo espaço com a nova polêmica envolvendo detergente, conspiração política e embates ideológicos.


