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DEBATE NA AL

Saúde mental em MT entra em alerta com déficit de CAPS e falta de psiquiatras

Muvuca Popular

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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou nesta segunda-feira (18) uma audiência pública para debater a situação da saúde mental no Estado e os desafios para implantação efetiva da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O encontro ocorreu em referência ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial e reuniu representantes do poder público, profissionais da saúde e movimentos sociais.

Durante o debate, autoridades alertaram para a insuficiência da estrutura de atendimento em Mato Grosso, principalmente pela falta de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), profissionais especializados e leitos específicos para saúde mental.

O deputado estadual Carlos Avallone, responsável pelo requerimento da audiência, afirmou que a principal dificuldade é estruturar a rede pública para que o atendimento funcione de maneira efetiva em todas as regiões do Estado.

Segundo ele, não basta encerrar o modelo hospitalar psiquiátrico tradicional sem que exista uma rede preparada para absorver os pacientes.

“Nós temos recursos para a saúde mental. O que está faltando é organização para gastar esses recursos”, declarou o parlamentar durante a audiência.

Representando a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), a coordenadora Daniely Beatrice informou que Mato Grosso possui atualmente 55 CAPS, mas necessita de pelo menos mais 30 unidades para atingir a cobertura ideal.

Ela também destacou que o Estado pretende implantar leitos específicos de saúde mental em hospitais gerais e regionais ainda neste ano, como forma de ampliar o atendimento de crises psiquiátricas.

O presidente do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso, Gabriel Figueiredo, reforçou que a política antimanicomial busca garantir atendimento humanizado, liberdade e reinserção social para pessoas em sofrimento psíquico. Porém, alertou que a rede atual ainda é insuficiente, inclusive nos grandes centros urbanos.

Já o Ministério Público destacou que houve avanço no financiamento da área nos últimos anos. Segundo o promotor Milton Mattos da Silveira Neto, foram destinados R$ 88 milhões em quatro anos para fortalecer a rede de saúde mental em Mato Grosso.

Outro problema apontado durante a audiência foi a dificuldade de contratação de psiquiatras para atuar na rede pública. O presidente da Associação Mato-Grossense de Psiquiatria, Paulo Saldanha, criticou os baixos salários oferecidos pelo Estado e municípios.

Ao final, representantes de órgãos públicos e entidades defenderam ampliação urgente dos serviços, fortalecimento da atenção psicossocial e investimentos permanentes para evitar colapso no atendimento em saúde mental no Estado.

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