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POLÊMICA CONTINUA

Abilio cogita devolver material comprado por Amauri e diz que escolas têm mais kits que alunos

Muvuca Popular

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, afirmou nesta quinta-feira (29) que a Prefeitura poderá devolver parte do material didático adquirido pela gestão do ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, caso a Controladoria-Geral do Município identifique irregularidades nos contratos firmados no ano passado.

Segundo o gestor, a administração encontrou um grande volume de materiais armazenados e aguarda a conclusão de uma auditoria para decidir se os itens serão distribuídos às escolas ou devolvidos às empresas fornecedoras.

“Tem muito, muito material armazenado. A gente vai esperar o parecer da Controladoria para saber se pode fazer a distribuição. Se tiver irregularidade na aquisição, nós vamos devolver, entrar com processo de devolução. Eu não vou sair distribuindo livro só porque o cara comprou”, declarou Abilio.

O prefeito afirmou ainda que recebeu denúncias de excesso de material didático em unidades da rede municipal e disse que algumas escolas teriam recebido mais kits do que o número de estudantes matriculados.

“Recebi denúncias de que muitas escolas estão cheias de material didático. Muitas escolas têm mais material do que aluno. A gente vai investigar essa situação”, disse.

De acordo com Abilio, o município possui atualmente cerca de 72 mil alunos matriculados entre escolas municipais e instituições filantrópicas conveniadas. Apesar de o levantamento ainda estar em fase final, o prefeito afirmou ter certeza de que a quantidade de materiais adquiridos ultrapassa o número de estudantes atendidos pela rede.

“Foi comprado mais do que isso, com certeza. Só de kits, por exemplo, se você comprou quatro ou cinco kits, já comprou quatro ou cinco vezes mais material do que a quantidade de alunos. Era para cada aluno ter uma biblioteca invejável dentro de casa”, ironizou.

Mais cedo, o prefeito já havia afirmado que a saída do ex-secretário ocorreu após divergências internas relacionadas ao pagamento de R$ 21 milhões por materiais didáticos realizado ainda no início do ano. Segundo Abilio, a decisão teria ocorrido em meio a dificuldades enfrentadas pelas escolas, como falta de limpeza, manutenção e atraso no pagamento de fornecedores.

“O cara pagou R$ 21 milhões de livro, foi para a Espanha e deixou a gente se ferrando para arrumar as escolas antes da volta às aulas”, disparou o prefeito.

Amauri, por sua vez, rebateu as acusações durante pronunciamento na Câmara Municipal de Cuiabá. O ex-secretário classificou como “irresponsáveis” as suspeitas levantadas pela atual gestão sobre possíveis irregularidades em contratos da Educação e afirmou que todos os processos passaram pelos setores técnicos da Prefeitura.

Amauri ainda acusou a atual gestão de promover uma “pedalada” superior a R$ 100 milhões com recursos obrigatórios da Educação, valor que, segundo ele, teria sido empurrado para o orçamento deste ano.

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