COBROU ESTRUTURA
Avallone diz que Mato Grosso vive “pandemia” de saúde mental e alerta para aumento das tentativas de suicídio
Muvuca Popular
O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (3) que Mato Grosso enfrenta uma “grande pandemia” de saúde mental e defendeu a ampliação da rede de atendimento no estado. Segundo o parlamentar, o aumento das tentativas de suicídio, a falta de estrutura para acolher pacientes em crise e a carência de profissionais capacitados evidenciam a gravidade do problema.
Durante entrevista à imprensa, Avallone citou dados que apontariam até cinco tentativas de suicídio por dia em Cuiabá e classificou os números como “assustadores”.
“Há um sofrimento da sociedade muito grande, dos jovens, dos idosos. É uma área que todos nós que estamos na política temos que ter um olhar especial para isso. Os números são assustadores. Aqui em Cuiabá chega cinco tentativas de suicídio por dia. A cada 20 tentativas, uma se consuma. Nós não podemos brincar com isso”, afirmou.
O deputado atribuiu o agravamento dos casos a uma série de fatores que, segundo ele, ainda precisam ser melhor compreendidos pela sociedade. Entre eles, citou o impacto das redes sociais, o excesso de informações e as mudanças comportamentais observadas principalmente entre os jovens.
Para Avallone, os reflexos da crise aparecem no aumento dos casos de depressão, dependência de atendimento psicológico e psiquiátrico, além do crescimento das tentativas de suicídio.
Falta de estrutura
O parlamentar também criticou a estrutura disponível para atender pacientes em situação de crise, especialmente crianças e adolescentes.
“Quando nós temos uma ação de urgência e emergência, quando uma criança entra em surto, não tem onde ser atendida. Ela fica rodando dentro de UPA, dentro de hospital. As cenas que a gente vê são muito fortes”, declarou.
Segundo ele, a rede de atenção psicossocial precisa ser fortalecida e os profissionais da atenção básica devem receber capacitação específica para identificar e acompanhar pacientes com transtornos mentais.
“As pessoas que fazem visitas domiciliares sabem trabalhar algumas comorbidades e outros problemas de saúde, mas da saúde mental não. Não há um preparo para isso. Essa rede precisa ser orientada, qualificada e capacitada”, disse.
Investimentos e discussão nacional
Avallone afirmou que a Assembleia Legislativa já destinou cerca de R$ 100 milhões para apoiar municípios na implantação e ampliação de estruturas de acolhimento e atendimento em saúde mental. Apesar disso, reconheceu que a demanda ainda está distante da capacidade atual de resposta do poder público.
“A distância do que nós precisamos é enorme”, avaliou.
O deputado também informou que representantes do Ministério da Saúde participam, em Cuiabá, de discussões sobre propostas desenvolvidas em Mato Grosso para aprimorar o atendimento na área. Segundo ele, algumas das iniciativas poderão servir de referência para outras regiões do país.
“Estamos trabalhando para discutir como vamos atender melhor a questão da saúde mental no estado de Mato Grosso, porque nós estamos vivendo uma grande pandemia nessa área”, concluiu.


