INTERNACIONALIZAÇÃO
Paraguai moderniza Regime de Maquila e amplia integração produtiva com empresas brasileiras
Muvuca Popular
O Paraguai deu mais um passo para consolidar sua posição como plataforma industrial estratégica da América do Sul ao modernizar o Regime de Maquila, modelo que vem atraindo cada vez mais empresas brasileiras interessadas em eficiência operacional, competitividade e integração regional.
Nos últimos anos, o país se tornou um dos destinos mais competitivos para operações industriais voltadas à produção e exportação. O movimento ganhou força especialmente entre companhias brasileiras, impulsionadas pela proximidade geográfica, logística favorável e necessidade de reorganizar cadeias produtivas dentro do MERCOSUL. Mais do que um avanço interno para a economia paraguaia, a expansão do regime reflete uma nova lógica industrial na região: empresas brasileiras reduzem custos, aumentam produtividade e diversificam operações, enquanto o Paraguai fortalece sua base industrial, amplia empregos formais e impulsiona exportações.
A recente atualização da legislação reforça esse papel em um cenário global marcado por nearshoring, regionalização produtiva e busca por ambientes mais previsíveis para investimento. O Regime de Maquila permite que empresas estrangeiras se instalem no Paraguai ou operem por meio de contratos com companhias locais para fabricar bens e prestar serviços destinados principalmente à exportação.
Entre os principais atrativos estão a tributação simplificada (imposto único de 1% sobre o valor agregado local ou sobre a nota fiscal de exportação, prevalecendo o maior valor), além da suspensão de tributos sobre importação temporária de insumos e máquinas.
“O Paraguai vem consolidando um ambiente cada vez mais moderno, previsível e competitivo para investimentos produtivos internacionais. A atualização do Regime de Maquila reforça não apenas a eficiência operacional do país, mas também sua capacidade de atuar como plataforma estratégica de integração industrial dentro do MERCOSUL (especialmente no Brasil), gerando benefícios compartilhados para toda a região”, comenta Javier Parquet Villagra, sócio diretor do escritório Parquet y Asociados.
Para Marcel Daltro, que é sócio e diretor institucional de projetos estratégicos e internacionais na NWADV, acredita que ainda existe uma leitura equivocada sobre os impactos desse avanço para o Brasil. “Há uma percepção equivocada de que a ampliação da Maquila no Paraguai representa uma ameaça direta à economia brasileira. Na prática, enxergamos um movimento de integração produtiva regional cada vez mais sofisticado e recheado de oportunidades. Trata-se de uma plataforma para empresas brasileiras ampliarem eficiência operacional, ganhos fiscais, resultados e competitividade”, afirma.
Entre as mudanças recentes estão a digitalização integral dos processos, maior integração entre empresas maquiladoras e flexibilização operacional para etapas produtivas compartilhadas com outros países, o que tende a beneficiar setores como autopeças, metalmecânico, eletrônicos, tecnologia, software e centros regionais de serviços.
Estimativas indicam que mais de 200 indústrias brasileiras já aderiram ao regime ou operam nesse modelo, representando cerca de 70% das empresas instaladas no sistema.
O novo cenário mostra que o Paraguai deixou de competir apenas por custo e passou a se posicionar como hub regional de eficiência produtiva, conectado às vantagens comerciais do MERCOSUL e ao mercado sul-americano.


