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CASO RENATO NERY

Juiz cumpre ordem do TJMT e afasta policiais da Rotam acusados de forjar confronto

Muvuca Popular

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O juiz José Mauro Nagib Jorge determinou o afastamento imediato de quatro policiais militares da Rotam denunciados por participação na execução do advogado Renato Gomes Nery e acusados de forjar um confronto armado para encobrir o crime. A medida atende a uma decisão da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que restabeleceu as medidas cautelares anteriormente impostas aos investigados.

A decisão atinge Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira. Em dezembro do ano passado, os militares haviam sido autorizados pela Justiça Militar a retornar às atividades operacionais, com devolução do porte de arma e retirada da tornozeleira eletrônica. Contudo, após recurso do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o TJMT reverteu a medida e determinou o restabelecimento das restrições.

Além de serem afastados das atividades ostensivas da Rotam, os policiais voltarão a ser monitorados eletronicamente e ficam proibidos de portar ou possuir armas de fogo, sejam institucionais ou particulares. Eles também deverão permanecer exclusivamente em funções administrativas até nova deliberação judicial.

Ao analisar o recurso ministerial, os desembargadores entenderam que a gravidade das acusações impede o retorno dos investigados ao policiamento operacional. Conforme o acórdão, os militares são acusados de participar da simulação de um confronto armado que resultou na morte de uma pessoa e na tentativa de homicídio de outras duas, com o objetivo de ocultar a execução do advogado Renato Nery e manipular elementos da investigação.

A relatora do caso, desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, destacou que o retorno dos acusados às ruas, armados e exercendo funções ostensivas, representa risco à ordem pública e à instrução criminal, especialmente diante da possibilidade de intimidação de testemunhas e da suposta manipulação da cena do crime.

Renato Nery, de 72 anos, foi assassinado no dia 5 de julho de 2025, em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por um tiro na cabeça, chegou a ser socorrido e encaminhado ao Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, mas morreu horas depois.

As investigações apontam que o homicídio teria relação com uma disputa judicial envolvendo uma área rural avaliada em mais de R$ 30 milhões, localizada no município de Novo São Joaquim. Segundo a Polícia Civil, os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bentos, presos durante a apuração, mantinham uma longa batalha judicial com o advogado pela posse da propriedade, recebida por Nery como pagamento de honorários advocatícios após mais de 30 anos de atuação em um processo.

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