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JULGAMENTO HOJE

“Ela está no banco dos réus porque atropelou filho de promotor”, afirma defesa de bióloga

Do Local: Nickolly Vilela

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O advogado Rodrigo Vaz, que atua na defesa da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, fez duras críticas à acusação durante entrevista concedida nesta terça-feira (23), durante o julgamento da ré pelo atropelamento que matou dois jovens em frente a Valley Pub, em Cuiabá.

Segundo o defensor, Rafaela jamais deveria ter sido levada a julgamento por homicídio doloso e, no máximo, responderia por um crime culposo, quando não há intenção de matar.

“Trabalho efetivamente com uma solução que restabeleça a verdade nesse caso. Que pode sim ser a absolvição dela, mas pode ser eventualmente a responsabilização por um crime culposo. A acusação que deveria ter sido formulada contra ela desde o início era uma acusação culposa, no máximo”, afirmou.

Em uma das declarações mais contundentes, Rodrigo Vaz atribuiu a condução do caso ao fato de uma das vítimas ser filho de um membro do Ministério Público.

“Ela está sentada aqui, infelizmente, porque teve a infelicidade de atropelar o filho do corregedor do Ministério Público, Mauro Viveiros”, declarou.

Ao comentar as provas apresentadas em plenário, o advogado destacou o depoimento do perito oficial Henrique de Carvalho, sustentando que a perícia é categórica ao apontar que o veículo conduzido por Rafaela trafegava a aproximadamente 54 km/h, com margem de variação de quatro quilômetros para mais ou para menos.

“Toda tentativa de elevar essa velocidade é uma tentativa fraudulenta e que vai de encontro à prova técnica”, afirmou.

Segundo a defesa, a estratégia adotada perante os jurados será demonstrar, de forma simples e objetiva, que a prova técnica não sustenta a tese de dolo defendida pelo Ministério Público.

Rodrigo Vaz também afirmou que a conduta das vítimas precisa ser considerada pelo Conselho de Sentença. De acordo com ele, a perícia apontou que os jovens realizavam uma travessia irregular da Avenida Isaac Póvoas e que uma das vítimas sobreviventes teria contribuído para a permanência do grupo na pista.

“A ação humana das vítimas foi decisiva para que o resultado ocorresse”, sustentou.

O advogado reconheceu que Rafaela consumiu bebida alcoólica antes de dirigir, mas argumentou que isso não significa, automaticamente, que ela tenha assumido o risco de matar.

“A Rafaela bebeu? Bebeu. Esse é um fato. Agora, dizer que ela assumiu o risco de causar a morte de alguém porque ingeriu bebida alcoólica me parece uma distância oceânica”, declarou.

Sobre o estado emocional da acusada durante o julgamento, Rodrigo Vaz afirmou que o sofrimento demonstrado por Rafaela é genuíno.

“O processo é uma dor para a Rafaela. É uma menina exemplar, uma profissional acima da média. A dor que ela retrata ali é uma dor verdadeira. Hoje, ao apagar das luzes, ela pode dormir no cárcere”, disse.

Rafaela Screnci é julgada pela morte de Myllena de Lacerda Inocêncio e Ramon Alcides Viveiros, atropelados na madrugada de 23 de dezembro de 2018. Uma terceira vítima, Hya Giroto Santos, sobreviveu após sofrer graves ferimentos. O Ministério Público sustenta que a acusada dirigia sob efeito de álcool, em velocidade incompatível com a via e assumiu o risco de provocar o resultado fatal.

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