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CULTURA

Mato Grosso terá sete filmes na 9ª Mostra Sesc de Cinema

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Mato Grosso será representado por sete produções na 9ª Mostra Sesc de Cinema, iniciativa que incentiva, valoriza e amplia a circulação do audiovisual independente brasileiro. Entre os filmes selecionados estão “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, de Gilson Costa e Clea Torres, escolhido para o Panorama Brasil; “Pé de Garrafa”, de Everson Teodoro, destaque do Panorama Infantojuvenil; e “Cabeça de Pacu”, de Vitória Molina, selecionado como Destaque do Panorama Estadual de Mato Grosso. Eles foram premiados e poderão ser exibidos em unidades do Sesc de todo o país.
Além deles, outras quatro obras integram a Mostra Estadual, que será realizada em novembro nas unidades Sesc Arsenal, em Cuiabá, e Sesc Rondonópolis.
Reconhecida como uma das principais vitrines do cinema independente nacional, a Mostra Sesc de Cinema fortalece a produção audiovisual brasileira ao oferecer visibilidade para realizadores de diferentes regiões do país, incentivar novas narrativas e ampliar o acesso do público a obras que, muitas vezes, circulam apenas em festivais. Além da exibição dos filmes, a iniciativa contribui para a formação de plateias, estimula o intercâmbio entre cineastas e promove a diversidade cultural por meio do audiovisual.
Três curtas mato-grossenses selecionados em curadoria foram premiados com o licenciamento de seus direitos autorais pelo Sesc. Com isso, passarão a integrar o catálogo de filmes da instituição durante um ano, sendo exibidos em unidades do Sesc em diferentes estados, ampliando a circulação das produções e levando histórias produzidas em Mato Grosso para públicos de todo o Brasil.

Entre os destaques está “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, documentário dirigido por Gilson Costa e Clea Torres. O filme retrata a trajetória do cineasta indígena xavante Divino Tserewahú, um dos pioneiros do cinema indígena brasileiro, e evidencia o audiovisual como instrumento de preservação da memória, fortalecimento da identidade cultural e resistência dos povos originários. Produzido em parceria com o Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Câmpus do Araguaia, o documentário foi construído de forma colaborativa com a comunidade indígena, que participou de todas as etapas da produção, da elaboração do roteiro à edição final.

Para a codiretora Clea Torres, a seleção representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido em diálogo com o povo Xavante e reafirma a potência das narrativas produzidas em Mato Grosso.
“É uma honra integrar o Panorama Brasil com um documentário construído junto ao povo xavante. O filme mostra como o audiovisual se tornou uma ferramenta de memória, resistência e preservação cultural. O Divino, ele fala muito sobre isso, dos rituais que ele gravou lá quando começou a trabalhar com audiovisual, que alguns hoje em dia nem existe mais”, afirmou Clea.
Ela explica que, ao contar essa história, buscou-se construir uma obra feita com a comunidade, desde o roteiro até a montagem final, valorizando suas narrativas e sua participação em todas as etapas do processo. “O documentário passou por várias fases no processo de edição, em que o Divino levava para os anciões olharem, verificarem se a gente estava no caminho certo. Então, ele é um material muito honrado dentro do território, muito bem recebido e, para nós, é uma honra levar a visibilidade do povo Xavante”, ressaltou a cineasta.
Também na programação nacional está “Pé de Garrafa”, primeiro filme dirigido por Everson Teodoro. O curta de aventura e fantasia acompanha um grupo de crianças que transforma brincadeiras, imaginação e curiosidade em grandes descobertas. Inspirada nas experiências da infância do diretor, a obra valoriza o universo infantil e convida o público a resgatar a criatividade presente nas brincadeiras ao ar livre.
Para Everson, a seleção representa um importante reconhecimento do trabalho realizado pela equipe e a oportunidade de levar a produção para novos públicos. “Estou eufórico com a possibilidade de muitas pessoas que não conheço terem acesso ao trabalho. Sempre quis trabalhar com audiovisual, desde criança, e esse desejo foi a principal essência para desenvolver o “Pé de Garrafa”, que é sobre crianças explorando o máximo de suas brincadeiras e curiosidades para se divertirem e gerarem algum tipo de fruto lá na frente na vida deles”, explicou.
O cineasta conta que não esperava ter o filme selecionado, mas que ter uma resposta boa como essa é um sinal de reconhecimento do trabalho. “Passamos muitos perrengues para rodar o filme. Foi chuva, falta de energia constante na fazenda onde foi gravado o curta. Então, é muito legal saber que as pessoas estão gostando”, completou.
Fechando a lista de produções mato-grossenses na programação nacional está “Cabeça de Pacu”, de Vitória Molina. Inspirado em uma conhecida lenda cuiabana, o curta de ficção apresenta ao público elementos da cultura popular mato-grossense, contribuindo para a valorização das tradições e do imaginário regional. Produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, o filme vem construindo uma trajetória de destaque.
Para a diretora, a seleção reafirma o potencial das produções realizadas no estado. “‘Cabeça de Pacu’ fala sobre uma lenda muito conhecida em Cuiabá e poder apresentar essa história para pessoas de diferentes estados é motivo de muita alegria. Eu estou muito feliz de poder levar a nossa cultura para fora de Cuiabá, mostrar como é rica a nossa cultura, a nossa regionalidade. Estou completamente extasiada”, contou.
Além dos três curtas que integrarão a programação nacional, outras quatro produções foram selecionadas para a Mostra Estadual de Mato Grosso: “Bruce Spike: Missão Contra o Medo”, de Lucas Bezerril; “Caracóis”, de Bia Lobo; “O Olhar de Antônio”, de Glória Albuês; e “Sacas de Areia”, de Raphael Henrique. As obras serão exibidas em novembro nas unidades Sesc Arsenal e Sesc Rondonópolis, aproximando o público mato-grossense da produção audiovisual realizada no estado.
Nesta edição, a Mostra Sesc de Cinema recebeu mais de 1.900 inscrições de todo o Brasil e selecionou 52 obras para compor sua programação nacional. Ao promover a circulação dos filmes em sua rede de unidades, o Sesc amplia o acesso da população ao cinema brasileiro, incentiva a produção independente e fortalece a cultura como ferramenta de expressão, diálogo e transformação social.
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