DECISÃO EM ANÁLISE
Flávia Moretti diz que intervenção no DAE “não é bicho de sete cabeças” e pede ajuda VG
Renato Ferreira
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que uma eventual intervenção no Departamento de Água e Esgoto (DAE) não deve ser encarada como um problema e defendeu que qualquer medida capaz de ajudar o município será bem-vinda. A declaração foi dada ao comentar o pedido reforçado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para que o Ministério Público Estadual solicite à Justiça uma intervenção na autarquia.
Questionada se considera a intervenção o melhor caminho para solucionar os problemas do DAE, a prefeita evitou tomar posição sobre a medida e ressaltou que a decisão cabe aos órgãos competentes.
“Quem vai definir isso é a Procuradoria-Geral de Justiça, é o governador. Eles que determinam esse caminho, não sou eu. Eu só quero ajuda, seja como vier. Eu quero a colaboração”, afirmou Moretti, nesta quinta-feira (09).
Ao ser perguntada se aceitaria uma intervenção no departamento, Flávia disse que o instrumento é previsto em lei e não deve ser tratado como algo excepcional.
“Olha, a intervenção ao DAE não é um bicho de sete cabeças. A intervenção a qualquer órgão não é um bicho de sete cabeças. Eu, que sou advogada, sei que é uma forma legal de ter a colaboração do Estado. Mas isso quem vai definir mesmo é a Procuradoria-Geral de Justiça, que é quem faz o pedido ao Tribunal de Justiça”, declarou.
A prefeita também negou que uma eventual ajuda ao DAE em pleno ano eleitoral seja motivada pelo calendário político. Segundo ela, a atual administração apenas expôs a real situação encontrada no município, o que teria despertado a atenção de outras autoridades.
“Eu acho que, de forma diferenciada, a minha gestão está mostrando os percalços de Várzea Grande. O que Várzea Grande estava antes e eu estou mostrando, seja na infraestrutura, seja no DAE, seja na saúde. De repente, os políticos olharam e disseram: ‘Precisamos estender a mão para Várzea Grande’. E essa mão é bem-vinda, porque Várzea Grande precisa dessa colaboração”, disse.
Flávia acrescentou que o município necessita de apoio em diferentes frentes para enfrentar os problemas históricos enfrentados pela cidade.
“Seja com um apoio conjunto, seja com o financeiro, seja com equipe técnica para nos ajudar também, porque a equipe técnica é importante. E assim nós vamos seguindo”, concluiu.
O debate sobre uma possível intervenção ganhou força após o Tribunal de Contas do Estado reforçar o pedido para que o Ministério Público Estadual avalie solicitar à Justiça a medida. O TCE aponta irregularidades nas contas do DAE e problemas na gestão financeira e operacional da autarquia. Em nota, o departamento informou que o processo se refere à prestação de contas de gestões anteriores, entre 2021 e 2023, e que o caso ainda não teve julgamento definitivo, permanecendo em análise na Secretaria de Controle Externo (Secex) da Corte de Contas.


