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MT cria protocolo para orientar cobertura de feminicídios e quer evitar efeito de imitação de crimes
Muvuca Popular
A forma como os casos de feminicídio são divulgados pela imprensa e comunicados pelas autoridades passará a ser alvo de um protocolo estadual em Mato Grosso. A Rede Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (REDEVIM) instituiu um Grupo de Trabalho responsável por elaborar diretrizes de comunicação para reduzir o chamado “efeito copycat”, fenômeno em que a ampla exposição de crimes pode estimular a repetição de atos semelhantes.
A medida foi oficializada por meio da Resolução nº 005/2026 e prevê a elaboração de um Protocolo de Prevenção ao Efeito Copycat e de um Guia de Comunicação Responsável para casos de violência contra a mulher. O grupo terá 90 dias, prorrogáveis por mais 60, para concluir os trabalhos.
Entre as propostas está a criação de regras para pronunciamentos oficiais de policiais e agentes públicos, orientando que não sejam divulgados detalhes sobre a dinâmica dos crimes, ferramentas utilizadas ou imagens que exponham o sofrimento das vítimas. Também será recomendado evitar especulações sobre a motivação do agressor que possam transferir culpa à vítima ou justificar o feminicídio.
O documento também prevê a elaboração de um guia voltado aos veículos de comunicação. Entre as recomendações estão evitar manchetes sensacionalistas, deixar de utilizar descrições que humanizem ou romantizem o autor do crime e incluir, obrigatoriamente, informações sobre canais de denúncia e acolhimento, como o Ligue 180 e os serviços especializados de atendimento às mulheres.
Além das diretrizes para imprensa e órgãos públicos, o grupo deverá desenvolver um plano permanente de capacitação para assessores de comunicação, porta-vozes das forças de segurança e profissionais da mídia, além de propor mecanismos voluntários de acompanhamento das recomendações e diálogo contínuo com os veículos de comunicação.
A coordenação do grupo ficará a cargo da delegada Judá Maali Marcondes, com representantes da Polícia Civil, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Perícia Oficial, Polícia Militar, Secretaria de Comunicação do Estado e do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
Segundo a resolução, a iniciativa parte do entendimento de que a espetacularização da violência, o detalhamento dos métodos utilizados pelos criminosos e a romantização dos agressores podem contribuir para o efeito de contágio social, ao mesmo tempo em que busca conciliar o direito à informação com a proteção das vítimas e a prevenção de novos casos de violência contra as mulheres.


