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OPERAÇÃO LAÇO OCULTO

Golpe começou com R$ 18 mil e evoluiu para cobranças de R$ 300 mil, diz delegado

Patrícia Neves e Nickolly Vilella

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O que começou com um pedido de R$ 18 mil para quitar uma suposta dívida com agiotas se transformou em cobranças sucessivas de aproximadamente R$ 300 mil, fazendo uma servidora pública estadual perder mais de R$ 1,1 milhão entre 2022 e 2025. Segundo a Polícia Civil, os valores eram exigidos por colegas de trabalho que convenceram a vítima de que ela e sua família seriam mortas caso os pagamentos não fossem feitos.

Os detalhes foram revelados nesta terça-feira (21) pelo delegado Hugo Abdon Lima, durante a deflagração da Operação Laço Oculto, que cumpre 14 medidas judiciais contra investigados por extorsão, lavagem de dinheiro e agiotagem.

Segundo o delegado, o esquema teve início quando um servidor da Secretaria de Estado de Saúde (SES), conhecido da vítima há vários anos, pediu que ela emprestasse sua conta bancária para receber um depósito.

“Ele disse que estava endividado e precisava receber um valor em uma conta emprestada. Como ela era uma pessoa generosa, que gostava de ajudar, emprestou a conta”, explicou.

Depois que o dinheiro caiu na conta da servidora, o servidor e uma colega de trabalho passaram a afirmar que ambos estavam sendo ameaçados por agiotas. A vítima foi convencida de que também seria alvo dos criminosos, já que o depósito havia sido realizado em seu CPF.

“Eles fizeram um teste. No primeiro ano foi apenas R$ 18 mil. Depois vieram R$ 300 mil, mais R$ 300 mil e, no ano seguinte, outros R$ 300 mil. Se ela não tivesse procurado a Polícia Civil, esse prejuízo poderia ter sido muito maior”, afirmou Hugo Abdon Lima.

De acordo com a investigação, o grupo percebeu que a servidora tinha condições financeiras e passou a explorar sua boa-fé para exigir valores cada vez maiores.

“Oportunismo. Eles perceberam que ela era uma pessoa abastada, que tinha dinheiro, e começaram a testar até entenderem que conseguiriam retirar cada vez mais recursos”, disse o delegado.

A Polícia Civil identificou que a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a principal investigada. Parte do dinheiro foi posteriormente distribuída a outros integrantes do grupo, incluindo um policial militar investigado por agiotagem e lavagem de dinheiro.

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