JÚRI COMEÇA HOJE
Defesa diz que coronel é “preso político” e afirma que provará inocência no caso Zampieri
Patrícia Neves e Nickolly Vilella
A poucos minutos do julgamento do assassinato do advogado Roberto Zampieri, a defesa do coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e afirmou que o militar é um “preso político”. Os advogados Sarah Quinetti e Jayne Carvalho passam a atuar conjuntamente no caso e sustentam que não existem provas que liguem o coronel ao homicídio.
Em entrevista, Sarah Quinetti afirmou que a acusação não conseguiu demonstrar a participação do militar no crime e disse que a defesa pretende comprovar sua inocência durante o julgamento. “São dois anos e oito meses esperando. O coronel é um preso político e tenho certeza de que era papel da acusação provar que o coronel tem alguma relação com esse crime. Vamos mostrar isso em plenário. O coronel nunca ouviu falar de Zampieri, nunca esteve aqui e não tem nada a ver com esse crime. Vamos provar. Ele não tem nada a ver com isso”, declarou a advogada.
O Tribunal do Júri está marcado para esta segunda-feira (28), em Cuiabá, quando serão julgados os policiais militares Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, denunciados pelo assassinato de Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023.
Na véspera da sessão, a Justiça de Mato Grosso retirou o segredo de Justiça da ação penal e determinou que o Ministério Público e as defesas analisem um novo acervo documental de aproximadamente 10 mil páginas anexado aos autos.
A decisão foi assinada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá. O magistrado entendeu que não havia mais justificativa para manter o processo em sigilo, uma vez que os documentos também integram outra ação penal pública que investiga os mesmos fatos. Além disso, ressaltou que a proximidade do julgamento reforça o princípio da publicidade dos atos processuais, já que as provas serão debatidas em plenário perante o Conselho de Sentença.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Antônio Gomes da Silva é apontado como autor dos disparos que mataram o advogado, enquanto Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria dado apoio à execução. Já o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de intermediar o homicídio mediante pagamento e promessa de recompensa.
A acusação sustenta que o assassinato foi resultado de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de funções entre os envolvidos. Conforme o Ministério Público, o casal Elenice Ballarotti Laurindo e Aníbal Manoel Laurindo teria encomendado a morte de Zampieri em razão de uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul. A defesa, por sua vez, nega qualquer participação de Caçadini no crime e afirma que demonstrará, durante o julgamento, que o coronel não possui qualquer vínculo com o homicídio.



