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CASO ZAMPIERI

Delegado diz que celular de Zampieri foi encontrado ao lado do corpo com mensagem de desembargador

Patrícia Neves

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O delegado da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira foi a primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri que julga os acusados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, nesta segunda-feira (28), em Cuiabá. Durante o depoimento, ele afirmou que o celular da vítima foi encontrado ao lado do corpo e revelou que, ainda no local do crime, foi visualizada uma mensagem enviada por um desembargador.

Segundo o delegado, durante a remoção do corpo, a equipe percebeu que havia uma notificação no aparelho. Ele contou que chegou a comentar com outros policiais sobre a mensagem, mas, naquele momento, não viu qualquer irregularidade, já que Zampieri era advogado e mantinha contato frequente com integrantes do Judiciário.

“Lembro de ter comentado com colegas que havia uma mensagem de um desembargador, mas, como ele era advogado, achei algo normal”, declarou.

A mensagem era do desembargador Sebastião de Moraes Filho, enviada minutos após a morte de Zampieri. Conforme a perícia realizada no aparelho, o texto dizia:

“Convivemos em harmonia e respeito por mais de 25 anos. Ganhava e perdia nos meus votos e sempre mostrava ser um advogado consciente. Deus o tenha. Que o receba de braços abertos.”

Posteriormente, a mensagem passou a integrar as investigações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao determinar o afastamento de Sebastião de Moraes Filho do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o órgão apontou que o magistrado enviou a mensagem poucos minutos após o homicídio e avaliou que o conteúdo poderia indicar uma tentativa de registrar, de forma antecipada, a relação institucional que mantinha com o advogado.

O celular de Roberto Zampieri tornou-se uma das principais provas do caso. A análise do aparelho revelou mensagens, documentos e arquivos que deram origem a investigações sobre um suposto esquema de negociação de decisões judiciais. A partir desse material, o CNJ afastou magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e outras apurações passaram a ser conduzidas pelo próprio Conselho e pela Polícia Federal.

O julgamento é realizado pelo Tribunal do Júri e tem como réus os policiais militares Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Segundo a denúncia do Ministério Público, Antônio é apontado como autor dos disparos que mataram Zampieri, Hedilerson teria dado apoio à execução e Caçadini é acusado de intermediar o homicídio mediante pagamento e promessa de recompensa.

A acusação sustenta que o crime foi planejado por uma organização com divisão de funções e que teria sido encomendado pelo casal Elenice Ballarotti Laurindo e Aníbal Manoel Laurindo, em razão de uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul. A defesa de Caçadini nega as acusações e afirma que demonstrará, ao longo do julgamento, que o coronel da reserva não possui qualquer ligação com o assassinato.

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