CASO THAYS MACHADO
Justiça garante tratamento médico e autoriza filho de ex-governador a ir ao júri sem uniforme prisional
Patrícia Neves
A Justiça de Mato Grosso determinou que a unidade prisional onde está custodiado o filho do ex-governador Carlos Alberto Gomes Bezerra mantenha o acompanhamento e o tratamento médico necessários ao réu, que será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (31), em Cuiabá. Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, é acusado de matar a ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e o então namorado dela, Willian César Moreno, de 30 anos.
A decisão foi assinada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da Capital, após a defesa apresentar documentos relacionados ao estado de saúde do acusado. Os advogados ressaltaram que o pedido tinha caráter assistencial e humanitário, sem relação direta com o mérito da ação penal.
Conforme os relatórios médicos anexados ao processo, Carlos Bezerra apresenta diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, depressão, ansiedade generalizada, dores crônicas na coluna, histórico de hérnia de disco, varizes nos membros inferiores e perda progressiva da acuidade visual.
Os documentos também indicam que o acusado recebe atendimento clínico periódico na unidade prisional, com aferição de sinais vitais, renovação de medicamentos de uso contínuo e encaminhamentos para especialidades como oftalmologia, endocrinologia, psiquiatria e ortopedia.
A magistrada determinou que o estabelecimento prisional continue garantindo o acompanhamento médico e informe imediatamente ao juízo caso exista algum impedimento ou impossibilidade de prestar o atendimento adequado.
A decisão registra, no entanto, que o réu recusou o uso de insulina prescrito em junho de 2024 e também não aceitou sair da unidade para uma consulta ortopédica e um exame de imagem agendados para novembro de 2025.
Procedimentos cirúrgicos anteriormente autorizados, entre eles uma cirurgia oftalmológica e outra para retirada de varizes, ainda não foram realizados. Segundo os autos, a defesa havia informado a desistência da cirurgia nos olhos após a Justiça negar prisão domiciliar para o período de recuperação.
Para o julgamento marcado para 31 de julho, a juíza também autorizou que a defesa utilize equipamentos para exibição de mídias, tenha acesso às peças processuais e à internet durante a sessão.
Carlos Bezerra poderá comparecer ao plenário sem algemas e sem uniforme prisional. A decisão, porém, permite que a equipe responsável pela escolta adote medidas de contenção caso identifique uma necessidade excepcional, que deverá ser devidamente fundamentada.
A magistrada advertiu ainda que somente poderão ser apresentados aos jurados documentos, vídeos, áudios ou outras peças previamente juntadas ao processo. A medida busca impedir a utilização de provas surpresa sem conhecimento antecipado da acusação ou da defesa.
O CRIME
Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, é acusado de matar a ex-companheira Thays Machado, de 44 anos, e o então namorado dela, Willian César Moreno, de 30 anos. O duplo homicídio ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício onde a mãe de Thays morava, no bairro Consil, em Cuiabá. As duas vítimas foram atingidas por disparos e morreram no local.
Conforme a denúncia do Ministério Público, Carlinhos não aceitava o fim do relacionamento com Thays e teria acompanhado os deslocamentos dela antes do crime. A investigação apontou que a vítima já havia registrado ocorrências por ameaças e perseguição. No dia dos assassinatos, Thays havia ido buscar Willian no aeroporto e estava em frente ao prédio quando os dois foram atacados.
Após os disparos, Carlinhos fugiu de Cuiabá e foi preso horas depois em uma fazenda da família, em Campo Verde. Ele foi denunciado por feminicídio qualificado pela morte de Thays e por homicídio qualificado pela morte de Willian. Entre as qualificadoras atribuídas pela acusação estão motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ele é filho do ex-governador e ex-deputado federal Carlos Bezerra.



