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MATOU DUAS PESSOAS EM 2023

Defesa aponta divergências e pedirá acareação entre delegados no júri de filho de ex-governador

Patrícia Neves e Nickolly Vilella

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A defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos, anunciou que pedirá uma acareação entre os delegados Marcel Gomes de Oliveira e Philipe de Paula da Silva Pinho durante o Tribunal do Júri realizado nesta sexta-feira (31), em Cuiabá. Os advogados alegam que há divergências entre os depoimentos prestados pelos dois policiais sobre pontos da investigação do duplo homicídio. Carlos é filho do ex-deputado federal e governador, Carlos Bezerra.

Segundo a defesa, as supostas inconsistências envolvem os horários mencionados pelos delegados e informações relacionadas à existência de uma pista de pouso em uma fazenda citada no processo. Com a acareação, os dois deverão ser colocados frente a frente para esclarecer as versões apresentadas ao Conselho de Sentença.

O pedido surgiu durante o julgamento de Carlinhos, réu confesso pelas mortes da ex-companheira Thays Machado e de Willian Cesar Moreno, então namorado dela. O casal foi assassinado em 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.

Durante a sessão, a investigadora da Polícia Civil Luciene Benedita Taques de Abreu Wolf relatou que Thays procurou a delegacia antes do crime para entregar o próprio celular e solicitar uma perícia. A vítima suspeitava que estava sendo rastreada pelo ex-companheiro.

“Ela estava aparentemente calma, muito mais calma que o rapaz, que estava com ela. Me entregou o celular pedindo uma perícia, pois ela tinha certeza de que estava sendo rastreada”, afirmou Luciene.

Conforme a investigadora, Thays estava acompanhada de Willian e, enquanto permanecia na delegacia, percebeu que Carlinhos estava dentro de um veículo nas proximidades do prédio. Ela teria alertado Luciene sobre a presença dele.

“Ela disse que o ex-marido estava no carro, momento em que eu apontei a arma e ele saiu de lá”, relatou.

O depoimento integra a linha da acusação de que Carlinhos acompanhava a rotina da ex-companheira antes do duplo homicídio. A defesa, entretanto, tenta demonstrar que existem inconsistências nos relatos dos responsáveis pela investigação e pretende esclarecê-las com a acareação.

Carlinhos responde por feminicídio qualificado contra Thays e homicídio qualificado pela morte de Willian. O julgamento é conduzido pela juíza Mônica Perri.

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