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GERENTE FANTASMA

Justiça revoga mandado, mas “WT” segue preso por lavar milhões para facção

Muvuca Popular

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O  juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, revogou uma das prisões preventivas decretadas contra Paulo Witer Farias Paelo, apontado pelas investigações como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (30).

A ordem de prisão havia sido expedida no âmbito da Operação Gerente Fantasma, deflagrada em abril deste ano pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que apura um esquema de tráfico de drogas e golpes praticados por meio da plataforma OLX.

Entretanto, em julho, o magistrado recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e tornou oito investigados réus na ação penal decorrente da operação. Paulo Witer, no entanto, não foi incluído na denúncia porque, segundo o próprio Ministério Público, os fatos atribuídos a ele já são objeto de outra ação penal, na qual permanece preso preventivamente.

Com base nessa circunstância, a defesa pediu a revogação da prisão decretada na Operação Gerente Fantasma, alegando que a manutenção da medida cautelar não se justificava diante da ausência de denúncia contra o investigado nesse processo. Os advogados sustentaram que, sem ação penal em seu desfavor, não haveria instrução criminal a ser preservada nem fundamento para manter a prisão sob o argumento de garantia da ordem pública.

Ao analisar o pedido, o juiz acolheu os argumentos da defesa e destacou que o Ministério Público reconheceu expressamente que Paulo Witer já responde pelos mesmos fatos em outro processo, no qual sua prisão preventiva continua em vigor.

Na decisão, Jean Garcia de Freitas Bezerra afirmou que manter uma nova prisão pelos mesmos fatos configuraria bis in idem — dupla punição pela mesma conduta — e ressaltou que uma nova medida cautelar somente poderia ser decretada com base em fatos distintos e concretos, devidamente amparados por denúncia específica ou por investigações complementares que apontassem novos elementos.

Apesar da revogação da prisão, W.T seguirá detido em função de mandados de prisão relacionados às operações Apito Final e Replay, deflagrada nesta quinta-feira. Ele é acusado de lavar dinheiro de facção criminosa com imóveis de luxo em cidades litorâneas e até clubes de futebol.

OPERAÇÃO GERENTE FANTASMA

A Operação Gerente Fantasma investigou crimes como tráfico de drogas, golpes em plataformas de compra e venda online e lavagem de dinheiro. A investigação também revelou que o grupo comercializava drogas, como pasta base de cocaína, skunk (conhecido como “supermaconha”) e cocaína refinada, além de exercer controle territorial sobre pontos de venda em diversos bairros de Cuiabá.

Além disso, o grupo promovia a distribuição de cestas básicas à comunidade e organizava eventos esportivos, obtendo lucros adicionais com a comercialização de bebidas alcoólicas, mecanismos utilizados para construir influência local e dificultar denúncias.

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