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LISTA DA INTERPOL
Médico de MT preso na Bolívia lavava dinheiro do tráfico, aponta Polícia Civil
Muvuca Popular
Um médico de 38 anos, preso na Bolívia na sexta-feira (14), é apontado pela Polícia Civil de MT como integrante de um esquema usado para lavar dinheiro de uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Getúlio Daniel, a profissão e o patrimônio aparentemente lícito do investigado teriam sido utilizados para dificultar a identificação da origem criminosa dos recursos.
O homem era procurado desde março deste ano, quando foi deflagrada a Operação Codinome Fantasma III, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pela 5ª Vara Criminal de Sinop.
Segundo o delegado, o médico já sabia que estava sendo investigado e deixou de retornar ao Brasil após perceber o avanço das apurações. Além da Codinome Fantasma III, ele também havia sido identificado em outra investigação conduzida pela Polícia Civil em Paranaíta.
“Ele já viu que tinha investigação contra ele e não voltou mais”, afirmou o delegado.
As investigações apontam que o suspeito estava escondido em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, acompanhado da esposa. A localização ocorreu após troca de informações entre a Draco, a Interpol e autoridades bolivianas.
“Nós conseguimos identificar exatamente o local em que ele estava, fizemos a prisão e agora será realizado o procedimento de extradição”, explicou.
De acordo com o delegado, organizações criminosas procuram pessoas que tenham profissão reconhecida, patrimônio lícito ou movimentação financeira aparentemente regular para tentar ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
No caso investigado, a suspeita é de que a condição de médico tenha servido como uma espécie de fachada para movimentações financeiras. “Eles utilizam essa movimentação financeira para camuflar, na realidade, a lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas”, afirmou.
O delegado também destacou que criminosos acreditam que profissionais com maior prestígio social podem chamar menos atenção das autoridades. Segundo ele, porém, o trabalho de inteligência permitiu identificar a participação do investigado no esquema.
A Operação Codinome Fantasma III teve como um dos principais objetivos atingir financeiramente a organização criminosa. Conforme a Polícia Civil, aproximadamente R$ 10 milhões em patrimônio foram apreendidos durante a operação. Parte dos bens já teria sido destinada ao uso de instituições públicas e projetos de atendimento e reabilitação.
O médico está incluído na difusão vermelha da Interpol e é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Após a prisão, as autoridades brasileiras devem dar andamento ao processo para que ele seja extraditado ao Brasil.
A ação que resultou na localização do investigado também contou com apoio da Polícia Federal, do Ministério Público de Mato Grosso, da Interpol e da polícia boliviana.



