Trabalho com cabelos há 20 anos e, quanto mais experiência acumulo, mais percebo que a nossa profissão exige movimento. Não basta dominar uma técnica e repeti-la durante anos. É preciso estudar, observar outras culturas e, principalmente, ter humildade para reconhecer quando existe algo novo para aprender.
Eu queria entender por que a K-beauty ganhou tanta força no mundo. Fui à Coreia do Sul disposto a olhar além das tendências que aparecem nas redes sociais e conhecer de perto o que sustenta esse movimento. Encontrei um mercado que combina pesquisa, tecnologia e uma cultura de cuidado muito presente no cotidiano, onde beleza, prevenção e bem-estar caminham juntos.
Mas o que mais me chamou atenção não estava apenas nos produtos. Estava na forma de pensar.
Sou terapeuta capilar há oito anos e minha formação nessa área foi bastante completa. Fiz um curso de seis meses, em uma época em que a terapia capilar ainda não tinha a visibilidade que tem hoje. Por isso, quando fui à Coreia, não estava começando uma formação. Fui justamente para me reciclar, aprofundar o que já conheço e entrar em contato com práticas, protocolos e tecnologias que ainda são novidade para nós.
Durante essa imersão em uma rede de salões coreana, percebi algo que considero fundamental para o momento que estamos vivendo. As pessoas estão buscando tratamento de verdade. O couro cabeludo não deve ser lembrado apenas quando surge queda, oleosidade, sensibilidade ou algum outro problema. Ele precisa receber atenção contínua, assim como cuidamos dos fios e da pele.
Voltei para Mato Grosso trazendo produtos, protocolos e referências que já estou incorporando ao meu trabalho. Mas não acredito em simplesmente copiar aquilo que funciona do outro lado do mundo. Cada cliente tem uma história, um cabelo, um couro cabeludo e necessidades diferentes. Conhecimento internacional só faz sentido quando conseguimos adaptá-lo à realidade de quem senta na nossa cadeira.
Essa experiência também confirmou algo em que acredito há bastante tempo. O salão do futuro não será apenas o lugar onde alguém corta, colore ou hidrata os cabelos. Ele será cada vez mais um espaço de tratamento, cuidado, bem-estar e experiência.
Até o lavatório, que durante décadas foi visto como uma etapa quase automática do atendimento, pode assumir outro papel. É possível reunir terapia capilar, skincare, tecnologia e relaxamento em um mesmo momento. A pessoa não precisa apenas sair com o cabelo bonito. Ela pode sair sentindo que aquele tempo dedicado a si mesma realmente fez diferença.
Tenho buscado construir esse caminho também fora da cadeira do salão. Quando entrego às minhas clientes um guia explicando como cuidar do alongamento em casa e estabeleço retornos periódicos para acompanhar a saúde dos fios, existe uma intenção por trás disso. O trabalho do profissional não deveria terminar quando a cliente atravessa a porta do salão.
E ainda trouxe uma surpresa da Coreia.
Conheci uma tecnologia que transforma justamente a experiência do lavatório e que pretendo apresentar em Mato Grosso nos próximos meses. Ainda não vou contar exatamente o que é. Quero preservar um pouco dessa novidade para que minhas clientes possam conhecê-la e experimentá-la quando ela chegar.
Voltei da Coreia com uma convicção ainda maior sobre o profissional que quero ser. Não quero correr atrás de todas as tendências que aparecem. Quero continuar estudando, me atualizando e entendendo o que realmente funciona para trazer a Mato Grosso aquilo que possa melhorar o tratamento e a experiência de cada cliente.
Para mim, esse é o futuro da beleza. Menos sobre fazer mais procedimentos e muito mais sobre tratar e cuidar melhor de quem está diante de nós.
Guilherme Bravo é hairstylist, terapeuta e wellness capilar há mais de 20 anos, com atuação em saúde capilar, beleza e bem-estar.



