SEM RECURSO
Incêndios avançam e prefeita decreta emergência por falta de estrutura
Muvuca Popular
O avanço do fogo sobre comunidades rurais e áreas ambientais levou Santo Antônio de Leverger a entrar em situação de emergência. Sem condições materiais e financeiras para responder sozinho à sequência de incêndios, o município recorreu ao Governo de Mato Grosso em busca de reforço para combater as chamas e atender a população atingida.
A medida foi oficializada nesta quinta-feira (26) pela prefeita Francieli Magalhães de Arruda Vieira Pires e terá validade inicial de 90 dias. A emergência fica restrita aos locais onde os danos forem comprovados e poderá ser estendida pelo mesmo período.
Um dos episódios que pesaram para a decisão ocorreu nas regiões de Varginha e Altos do Leverger. O fogo também alcançou a Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), exigindo uma operação conjunta entre equipes municipais, Corpo de Bombeiros e outras instituições.
O problema, porém, não ficou concentrado nessas localidades. A Defesa Civil identificou ocorrências no Parque Estadual Águas Quentes e em outra região ao sul do município. Já nas proximidades da Agrovila das Palmeiras, o enfrentamento mobilizou até produtores rurais e uma unidade prisional. Máquinas, água e aceiros foram utilizados na tentativa de barrar o avanço das chamas.
A preocupação é reforçada pelas condições climáticas. O período de estiagem, associado ao calor, à baixa umidade e à vegetação ressecada, cria um ambiente favorável para que novos focos se espalhem rapidamente. A dimensão territorial de Leverger e a existência de comunidades, fazendas e áreas protegidas em regiões cercadas por vegetação tornam a resposta ainda mais complexa.
Ao reconhecer oficialmente a emergência, a prefeitura ganha instrumentos para acelerar a reação ao desastre. A administração poderá direcionar diferentes órgãos municipais para as áreas atingidas, mobilizar voluntários e contratar, em caráter excepcional, serviços, equipamentos e obras necessários ao enfrentamento dos incêndios, observadas as exigências legais. Os contratos emergenciais deverão ser executados em até 180 dias.
O decreto também amplia a atuação das equipes em cenários de perigo imediato. Havendo ameaça à integridade de moradores, agentes autorizados poderão acessar propriedades para realizar salvamentos ou retirar pessoas do local, inclusive à noite.
Embora o município mencione a necessidade de assistência às famílias afetadas, ainda não há no decreto um balanço sobre o número de moradores atingidos, eventuais desabrigados ou os prejuízos provocados pelo fogo.
Também não foi apresentado um cálculo do impacto financeiro da emergência. A prefeitura afirma precisar do suporte estadual, mas ainda não detalhou publicamente quanto pretende solicitar nem quais equipamentos ou insumos serão necessários para reforçar a operação.



