ALERTA ECONÔMICO
Mato Grosso tem 877 empresas em recuperação judicial; comércio lidera pedidos
Muvuca Popular
Dados da Receita Federal compilados pelo Observatório de Mato Grosso mostram que, no estado, em julho deste ano, 877 empresas estavam em processo de recuperação judicial, mecanismo previsto em lei que permite a empresas e produtores rurais endividados renegociar suas dívidas para evitar a falência.
Os dados foram apresentados na última semana pelo coordenador do Observatório de Mato Grosso, Leonardo Zardo, durante o seminário “Descomplicando a Recuperação Judicial”, realizado pelo Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Sistema Fiemt).
As empresas mato-grossenses em recuperação judicial correspondem a 4,1% dos 21,1 mil registros do tipo no país.
O comércio lidera, com 306 empresas, seguido pelos serviços (243), agronegócio (219) e indústria (109). Entre as atividades, destacavam-se o cultivo de soja, com 114 registros, o transporte rodoviário de cargas, com 93, e a criação de bovinos para corte, com 85.
Cuiabá concentra 196 empresas, ou 22,3% do total estadual. Segundo Zardo, preços menos favoráveis, custos elevados, crédito mais caro e eventos climáticos adversos têm pressionado o caixa e aumentado o endividamento, especialmente nas cadeias da soja e da pecuária.
O cenário preocupa diferentes setores da economia. Durante o seminário, especialistas, empresários e representantes de entidades discutiram os impactos da recuperação judicial na gestão e na reestruturação financeira das empresas, além de medidas para preservar negócios, empregos e relações com fornecedores e credores.
Apesar de geralmente estar associada a empresas em crise, a recuperação judicial não significa que o negócio esteja falido. O instrumento permite que empresas em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas e apresentem aos credores um plano para tentar manter as atividades e recuperar a capacidade de pagamento.
No agronegócio, um dos setores mais afetados em Mato Grosso, produtores também podem recorrer ao instrumento, desde que atendam aos requisitos previstos na legislação. Durante parte do processo, há ainda o chamado stay period, período em que determinadas ações e execuções contra o devedor ficam suspensas para permitir a negociação e a reorganização financeira.
No seminário da Fiemt, uma das principais recomendações foi agir antes que a situação financeira se torne insustentável. Entre as medidas apontadas estão acompanhar de perto o fluxo de caixa, negociar dívidas, manter transparência com credores e buscar auxílio especializado antes que a crise comprometa a continuidade da atividade.



