OPERAÇÃO BÓREAS
Justiça Federal manda soltar empresária presa por suspeita de tráfico internacional de drogas
Gustavo Castro
A advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro deixou a prisão nesta quinta-feira (27), após decisão da Justiça Federal que determinou sua soltura. Ela havia sido presa na terça-feira (25), durante a Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar no transporte aéreo internacional de drogas e armas.
A informação foi confirmada ao Muvuca Popular pelo advogado Fernando Faria, responsável pela defesa de Thatiana.
A empresária estava detida na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em razão de sua condição de advogada. A prisão preventiva havia sido determinada pela Justiça Federal do Tocantins, no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Segundo a PF, a Operação Bóreas busca desarticular uma estrutura criminosa responsável pela organização de voos, utilização de aeronaves e pistas clandestinas e demais atividades de suporte para o transporte de grandes carregamentos de cocaína e armas de fogo provenientes da Bolívia e do Peru com destino ao Brasil.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a apreensão de aeronaves e o bloqueio e sequestro de bens e valores. A PF informou ainda ter solicitado a inclusão de dez investigados nos mecanismos de Difusão Vermelha da Interpol.
Defesa questionou prisão
Durante o cumprimento das ordens judiciais em Cuiabá, os policiais apreenderam R$ 84,8 mil em dinheiro vivo no imóvel de Thatiana, além de um celular e um veículo.
Desde a prisão, a defesa vem contestando a existência de elementos que justifiquem a manutenção da empresária no cárcere. Fernando Faria classificou a detenção como “ilegal e desnecessária” e apontou supostas irregularidades no cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.
Entre os questionamentos apresentados pelos advogados estão a forma como a prisão e as buscas foram realizadas, além de questões relacionadas às prerrogativas profissionais de Thatiana por ela também exercer a advocacia. A defesa sustenta que não haveria elementos concretos que demonstrassem a participação dela no esquema investigado.
Durante audiência de custódia realizada na terça-feira, Thatiana também negou envolvimento com atividades criminosas e afirmou não compreender o motivo de ter sido presa. Ela disse que nunca havia enfrentado problemas com a Justiça e relatou ter residência fixa e atividade empresarial em Cuiabá.
Apesar da soltura, as investigações da Operação Bóreas seguem em andamento. Conforme a Polícia Federal, os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados no decorrer da apuração.
A empresária responderá às apurações em liberdade.



